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Casa da Matriz | 21 de junho de 2006

"Ah, vai, Casa da Matriz não é um programa de casal". Foi essa a pérola que um amigo mandou na lata, em plena Casa da Matriz, quando encontrei com ele por acaso na sexta-feira e disse que escreveríamos sobre aquela noite na coluna. Pensei em retrucar com um "como assim, colega?", quando avistei o outro casal que nos acompanhava já com cartelas na mão, prontos para pagar e abandonar o recinto. E só contávamos uns trinta minutos desde que o programa tinha começado.

Pois é, talvez ele tivesse razão. Podia ser que gente acompanhada não se divertisse tanto por ali. A primeira coisa, aliás, que eu reparei quando a gente chegou é que o primeiro andar da casa agora é beeem mais escuro que antigamente. Casa da Matriz é amiga dos solteiros, pensei. Todo mundo fica lindo naquele quase breu.

Enfim, era noite de Brazooka e não há nada que eu goste mais de dançar do que música brasileira. Mas quem eu quero enganar? A Brazooka é a única noite do Rio que eu conheço bem. Sou uma mulher das massas: não sei exatamente o que tocam os DJs mais famosos de todos os tempos e sou incapaz de lembrar mais de três músicas que tocaram na pista de dança, quando preciso contar para as pessoas como foi minha noite de sexta.

Mas sei dizer que tocou Chico Buarque nesta Brazooka. E uma versão nova de "Mas que nada", gravada pelo Sérgio Mendes e pelo Black Eyed Peas, que eu adoro. E quando eu digo adoro, quero dizer "posso ouvir essa música dez vezes seguidas e ainda pensar em voltar o CD para ouvir mais uma vez". E me dei conta de que a Matriz, às sextas-feiras, é programa que faz qualquer um que goste de música brasileira e não tenha medo de encarar uma pista de dança lotada (esqueci de dizer que era necessário dar algumas cotoveladas para ganhar espaço no primeiro andar) muito feliz. Independentemente de ser casal ou não-casal.

Afinal, aquela história de que todos os solteiros ficam lindos no breu é maneira, mas perigosa. Você corre o risco de pegar um cara com uma enorme mancha no rosto e só perceber isso no dia seguinte, quando vocês forem tomar um chope e a iluminação não for, digamos, favorável.

seta Josy


Foi na Casa da Matriz que eu disse para a Josy pela primeira vez que eu estava apaixonado por ela. Aconteceu há bastante tempo, num sábado de bebedeira. Ela sorriu, disse um "que bom" mordendo o lábio e retribuiu minutos depois com um "eu também, André, eu também estou apaixonada por você". Quando ela me deixa puto - e, apesar desse sorriso lindo aí de cima, são muitas as vezes, acreditem - lembro deste "eu também, André, eu também estou apaixonada por você". Quase sempre dá certo.

A Casa da Matriz é definitivamente minha boate preferida. Lá sempre foi o lugar ideal para encontrar bons amigos, boa música e boa bebida. E não, não me entendam mal e achem que quero puxar o saco dos anfitrões que recebem esta coluna. Eles não me pagam coisa alguma e eu aprendi que só se deve puxar o saco por dinheiro. Meu apreço é sincero, garanto.

Portanto, paixão e preferência reveladas, taí uma boa pista de o porquê termos escolhido a Matriz como primeiro programa a ganhar este espaço. Objetivo esclarecido, fomos lá na última sexta, dia da badalada Brazooka.

E o que mais me chamou a atenção na festa de sexta foi a diversidade. Havia playboys, gringos e mulheres aos montes. Duas delas, aliás, beijavam-se graciosamente na pista, o que fez com que Josy comemorasse existir, ali, clima e permissão para uma maior liberdade sexual. Discordei, mais por implicância, alegando ser lamentável termos que nos preocupar com o local para exercer nossa liberdade sexual. Onde ficaria o conceito de liberdade?

Ah, havia, também, na Matriz, outros dois colunistas deste portal - e eu soube depois que outro apareceria lá mais tarde. Por um lado, sua presença pode provar que os colunistas do Matrizonline formam uma confraria de pessoas com os mesmos interesses; por outro, pode significar que a Matriz realmente agrada pessoas de diferentes estamentos, classes, partidos ou qualquer outra categoria que Weber pudesse imaginar.

Fico com a segunda hipótese, basicamente por não me identificar com os outros colunistas, modernos toda a vida. Já repararam nas fotos deles? São muito mais descoladas, cool e alternativas que a nossa, aí de cima. Pelas fotos, a gente vê que eles não são o tipo de gente que gasta as primeiras linhas de uma coluna para recordar a ocasião que disseram para a namorada pela primeira vez que estavam apaixonados por ela.

Porém, antes que eu providencie logo uma foto nossa abraçados com uma drag queen nua num inferninho de Copacabana, aceito a conclusão que a Matriz é casa até para caretas como a gente. Afinal, com nossa foto de troca de olhares, somos caretas, né?

seta André




seta Comentários Enviados
Janot em 07 de julho de 2006

Ótimo texto, fico honrado com os elogios à festa. Agora uma pergunta: porque a coluna não se chama "Aquela sexta"? Nada mais justo, não?
beijos


Mila em 07 de julho de 2006

Luisa,
cuidado que o andré pode entender errado o Brazooka de casais...


Bruno em 07 de julho de 2006

Olha só! Dona Josy distorcendo o que eu disse! Jornalista é um problema sério! ;)

Eu não me lembro exatamente das palavras, mas o que eu quis dizer foi que um casal tem que tomar certos "cuidados" em lugares assim. E, principalmente, às sextas na Matriz, por causa dessa diversidade que o André falou aí do lado. Mas um casal tão disposto quanto eu a trocar cotoveladas para conseguir dançar na pista lotada vai se divertir tanto quanto eu.


Andy em 07 de julho de 2006

Será que a Luisa conhece outros advogados?


Luisa em 07 de julho de 2006

Josy, primeiro de tudo, parabéns! Estou adorando a coluna! Aliás, as duas. Mas queria dizer mesmo que eu tb acho a Brazooka um programa totalmente viável pra casais e solteiros. Eu e Gus somos frequentadores assíduos das sextas feiras que acabam nos sábados de manhã. Aquele dia ele tava mau humorado e com sono, nem queria ter ido. Infelizmente. Eu tava me divertindo muito. Combinamos uma outra Brazooka de casais, qd meu advogado preferido estiver mais bem disposto!
bjs


Dani em 26 de junho de 2006

Ohnnnnn.... O amor eh lindo!


Mila em 21 de junho de 2006

Pena que a gente não se encontrou.
Tá muito bom!!!

Mas continuo achando sua foto gay! Com todo o respeito!


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