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Puebla Café | 12 de julho de 2006

Eu sou daquele tipo de pessoa que entre uma roupa confortável e outra que te deixe linda, mesmo que incomodada, quase sempre opta pela segunda opção. Ou seja, de vez em sempre sou incapaz de controlar meu lado superficial e ele se manifesta feliz da vida. O que isso tem a ver com a coluna desta semana sobre o Puebla Café? Vou tentar explicar... Meu lado superficial, o mesmo que escolhe minhas roupas, me matriculou em uma academia no início do mês e me fez dar início a uma dieta que posso chamar de rigorosa. Todas essas decisões não tiveram muito a ver com saúde – e aí entra a questão da superficialidade. Quando fiz o exame de rotina antes de começar os exercícios, fui clara com a médica: eu só quero ficar magra. Condicionamento físico é lucro, não objetivo.

Assim, comecei o tal regime alimentar, que, óbvio, não é dos mais saudáveis. Vez ou outra me pego escolhendo para mandar ao estômago algo não muito amigo de alguém que pretende perder peso. Para logo depois decidir que a dieta tem que ficar ainda mais severa. Tipo come um nacho e passa o dia seguinte à base de um mínimo (muito mínimo) necessário para não se morrer de fome. Um horror. Mas pelo menos já deu para perceber que em algum momento vou chegar no Puebla Café.

O convite para o Puebla veio assim de repente, quando a gente ainda estava em casa no sábado à noite e pensava em ter a Fosfobox como programa principal. Eu sei, nada neste texto está com cara de saudável e a sucessão de idéias toscas está crescendo em progressão geométrica (vide roupas desconfortáveis, dieta bizarra e Fosfobox), mas não me recriminem. A história ainda não terminou.

Ficamos só no Puebla mesmo, sem Fosfobox. Mas com essa ida ao bar mexicano cheguei a algumas conclusões. Número um: o Puebla Café é ótimo, ótimo. Duas vezes mesmo porque merece. Não fica na parte lotada/bombação da Cobal do Humaitá (fica na entrada pela Voluntários da Pátria), tem preços muito justos e comida que agrada até quem diz não gostar de cardápio mexicano, como o nosso amigo e também colunista Luís. Eu não tenho problemas com nachos e queijo cheddar ou qualquer outra coisa muito temperada, mas há opções menos agressivas, acreditem. E o melhor de tudo: frozen marguerita de tangerina.

E número dois: é a presença do André que não me deixa pensar muito antes de pedir qualquer coisa em um cardápio engordativo. Eu seria incapaz de repetir as atrocidades que cometi com a minha balança se estivesse sozinha em casa e não no Puebla ao lado dele. Desesperada em não me transformar na parceira-aberração-sempre-de-dieta, eu não só finjo que não há problema em sair do regime nos nossos programas, como me dou ao direito de ir muito além do aceitável. Eu parto para o inominável, só para fingir que está tudo normal. E aí tenho que agüentar os comentários dele sobre como eu sou muito trash com comida. Tem que amar muito mesmo...

seta Josy


A gente tinha um show do Gabriel, o Pensador na terça e este seria o motivo da coluna, mas eu adoeci (febre, dor de garganta etc.) e deixamos o programa de lado. Caímos, então, numa arapuca: depois de um fim de semana pouco agitado, com final da Copa do Mundo, decisão de terceiro lugar e muito sono tanto do lado de lá quanto no de cá, sobre o que escrever? Eu até sou fã de Sandman e poderia falar sobre o universo de Morpheus, mas Josy nada conhece sobre quadrinhos. Ficamos, assim, com um tal Puebla Café, para onde fomos levados no sábado por influência da Mila, CEO deste portal, e do Luis, outro colunista.

O risco de se transformar um restaurante em coluna é acabar fazendo como a dupla que escreve o Couvert e falar sobre a comida, o atendimento, o clima. E esta não é nossa proposta, espero que vocês saibam. Espero que vocês entendam, também, que nem sempre as coisas funcionam a mil maravilhas num casal. A gente se desentende eventualmente. Briga, até.

Um dia a gente ainda entra no assunto com mais detalhes, mas é importante explicar que há uma diferença imensa em encontros com meus amigos e encontros com os amigos de Josy. Os meus brincam, falam, puxam papo e fazem de tudo (inclusive falam o que não deviam) para estabelecer uma relação. Os dela - grande maioria - são mais contidos e eu, discreto toda a vida, posso passar despercebido com facilidade. Mas ela discorda deste ponto de vista, tenho certeza.

No Puebla Café, o programa era dos meus amigos, apesar de não ter tantos lá. Eles falaram (inclusive o que não deviam), conversaram e o programinha descompromissado de sábado que deveria apenas servir como prévia para uma saída mais animada - eu queria ter ido para a Fosfobox - veio parar aqui.

(Aliás, Josy queria explicar, já nesta coluna, o motivo do nome "Não nos arrependemos daquele sábado". Fui eu que não deixei)

Não que o Puebla Café não seja merecedor de algumas palavras. O lugar é bacana, a comida é gostosa e os garçons são simpáticos, apesar de parecerem estar chapados o tempo todo. Só que eu, inexplicavelmente, odeio a Cobal. Só vou para lá animado pelo Manekineko.

Então eu nunca vou achar um programa na Cobal fabuloso. Por mais que tenham Josy, bons amigos e uns nachos gostosinhos.

Ah, e lembram que eu havia falado de uma briga? No fim da noite, depois do Puebla Café, a gente brigou porque Josy queria, às 4h, discutir relativismo, universalismo, nazismo e etnocentrismo, assunto que começara dois dias antes e cujo teor eu não aguentava mais. Sério, não dava para ficar ouvindo, àquela hora, alguém falando de Canclini, enquanto eu rebatia com Elias. Morpheus me esperava. Tive que virar para o lado e dizer um boa noite.

E tive que me imaginar aparecendo no fim de "Páginas da Vida" dando um depoimento: "ela me largou depois que eu virei de lado e fui dormir". Pela sua expressão no dia seguinte, parecia ser isso o que ela queria fazer. Felizmente passou.

seta André



seta Comentários Enviados
Eduardo em 18 de julho de 2006

O Puebla é um lixooooooo!!!!

Comida pesada demais e só tem skol em lata!

Não sei o que a Mila vê nesse lugar!


Mila em 12 de julho de 2006

hahahahaha
o que a gente falou que não devia?
não me lembro...


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