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Barão Vermelho no FM Hall | 09 de agosto de 2006

Acho que existem dois tipos de mulher cachorra no Rio de Janeiro: as cachorras estilo patricinha e as cachorras estilo “Furacão 2000”. Sei que estou sendo má (muito má), mas acho que seria bom deixar claro que o que pesa mesmo na coluna desta semana é que elas – as cachorras, de ambos os tipos – ocupavam boa parte da paisagem já logo na entrada do show do Barão Vermelho que a gente foi, há umas duas semanas, no FM Hall, no Rio Sul.

Era um público diferente do que vi no show do Barão há mais de um ano, no Morro da Urca. Mas isso, para mim, não era má notícia. Era apenas curioso. Ainda mais porque estamos falando de um show que aconteceu no dia da final Vascoflamengo, tudo junto, e que só teve início mesmo depois que o jogo acabou, ou seja, algumas horas depois do previsto. Para passar o tempo, então, nada melhor do que assistir ao show do Ricardo Marques e Banda (um grupo bizarro que fez a abertura) e observar a paisagem. E vocês, provavelmente, já entenderam que, quando escrevo “paisagem”, quero dizer “as moças bem dotadas e minivestidas que se deslocaram da entrada do local para a pista”. Um adendo: o auge da nossa felicidade, minha e do André, foi quando anunciaram a abertura de “Ricardo Marques e Banda” e o casal de surdos que escreve esta coluna entendeu “Ricardo Macchi e Banda”. Pois é, não foi desta vez que vimos o cigano Igor cantando, pena.

Enfim, foi uma noite de descobertas. A primeira é que aquele público que eu considerei tão estranho gosta mesmo do Barão, não estava lá só por estar. Tanto que uma das meninas do nosso lado insistia em acompanhar o Frejat sempre com oito tempos de antecedência, mostrando que sabia bem a letra. Ela cantava e quem parecia repetir era ele. Era a mesma que fazia uma espécie de jogo da mímica durante o show, fazendo todos os gestos de “vou apertar, mas não vou acender agora” ou de “eu tô pedindo a tua mão e um pouquinho do braço...”. Uma autêntica apresentadora de programa infantil, daquelas que mandam beijo de verdade para o público assim que encontram a palavra “beijo” na música que estão cantando.

Outra descoberta é que, quando não estão ouvindo Barão Vermelho, essas moças muitas vezes bonitas e sempre saradas ficam alucinadas com uma música das “Pussycat Dolls”, cujo refrão é mais ou menos assim: “Don't you wish your girlfriend was hot like me. Don't you wish your girlfriend was freak like me. Don't cha... Don't cha”. Foi o que bombou na pista entre o show de abertura e o Barão. A mulherada ficou possuída, fazendo caras e poses fortíssimas.

E a última revelação veio no dia seguinte, quando estávamos no carro, eu e o André, ouvindo rádio e lembrando do show. No meio do papo de como o Frejat parece ser uma figura simpática e de como as músicas do Barão Vermelho fazem lembrar da infância, as Pussycat Dolls surgiram no rádio, cantando nada menos do que o hino das cachorras. Meu namorado, então, se vira para mim e comenta: “hummm, eu adoro essa música. Onde foi que eu ouvi mesmo?”. Ai, André, você ouviu antes do show, provavelmente observando as meninas que dançavam até o chão... Essa resposta existiu só em pensamento e veio acompanhada de um outro pensamento: talvez eu devesse parar com todas essas constatações maldosas e, da próxima vez, me jogar na pista fazendo biquinho ao lado daquelas meninas. Ao som de Pussycat Dolls, é claro.

seta Josy


Guardem o nome: Ricardo Marques e Banda. Eu juro que tentei imaginar outras formas de começar esta coluna, mas esse nome não sai da minha cabeça. Ricardo Marques e Banda foram os responsáveis pela abertura do show do Barão Vermelho ao qual Josy e eu fomos há duas semanas no FM Hall. E, acreditem, Ricardo Marques e Banda é muito ruim.

Não quero parecer implicante com Ricardo Marques e Banda, portanto vou contextualizar a situação em que assistimos a seu show. Era uma quarta-feira, eu tinha trabalhado demais no dia, o chope do FM Hall estava horroroso (um sujeito usava uma colher para tirar o excesso de espuma liberada por uma chopeira sem pressão) e o Vasco acabara de perder a final da Copa do Brasil para o Flamengo. Além disso, não sabíamos que haveria show de abertura e um pequeno atraso que já estava me irritando se transformou num enorme espaço entre o horário que chegamos e a subida do Barão ao palco. Para completar, quando o locutor anunciou Ricardo Marques e Banda, eu entendi Ricardo Macchi e Banda. A possibilidade de o eterno ex-cigano ter virado cantor havia me deixado, em vão, bastante animado. "Dara, Dara, Dara" seria um hit.

Ricardo Marques e Banda tocaram músicas no melhor estilo de seus conterrâneos mineiros do Jota Quest, com aquelas letras sem sentido em que se pode rimar amor, dor e ornitorrinco que está tudo certo. O Ricardo Marques tira uma onda de Lenny Kravitz no visual e até trocou de roupa durante o show. Além das canções do disco "Quem Nasce Jones Nunca Morre Mané" - numa, o vocalista ficava repetindo Scooby Doo Be Do, ou algo assim, incansavelmente -, eles tocaram "Another Brick in the Wall (part 2)" e "País Tropical", músicas das mais sem graça de Pink Floyd e Benjor.

Josy também achou horroroso, mas disse acreditar que Ricardo Marques e Banda faria sucesso entre os adolescentes. No show, um sujeito, pelo menos, parecia animado. Assumindo meu preconceito, era um bigodudo, magro, mulato, vestido para o pagode na laje da casa do cunhado. Parecia ter ganho ingressos numa promoção de rádio. Ficou perto do palco e, animado, dançou todas as músicas de Ricardo Marques e Banda. Na hora do show do Barão, porém, ele sumiu.

Ah, sobre o Barão, tenho que dizer que eu gosto demais do Frejat. Prefiro, até, sua voz meio rouca à voz fanha do Cazuza. Um show do Barão Vermelho, portanto, é sempre um programa dos mais agradáveis, mesmo quando há inúmeros contratempos no caminho, como o microfone que falhou nas duas primeiras canções. Bom chope e bom som são essenciais para um show e suas ausências deixaram uma impressão péssima do FM Hall.

Só que tudo isso serve para a gente aprender uma lição. Os melhores programas de um casal são exatamente aqueles em que, apesar de todas as circunstâncias serem desfavoráveis, tudo fica bem. É nessas horas, em momentos que a gente consegue se divertir cheio de problemas ao redor, que eu quase acredito que a balela religiosa do "felizes para sempre" pode funcionar. Quando eu e Josy casarmos, vou sugerir trocar Mendel por Ricardo Marques e Banda, só para provar que seremos um casal feliz. Sai a "Marcha Nupcial", entra "vem amor, tira essa dor, abraça o ornitorrinco" (os versos são fictícios, gente). E eu ainda vou dizer "aceito".

seta André





seta Comentários Enviados
Carlos em 16 de agosto de 2006

Injustiça com o Cazuza. Ele não era fanho! Tinha era a língua presa!

E o melhor cantor fanho e com perna mecânica do Brasil é o Roberto Carlos!


LHA em 16 de agosto de 2006

O ornitorrinco é uma cara legal/Tem bico de pato mas não manda mal!

Esse foi o hit do meu carnaval em Black Gold 2001. Falando em BG, não era muito diferente desse show do Barão não.


Josy e Andy em BsAs em 10 de agosto de 2006

Rachel, pode deixar que em breve a coluna vai falar do tal barzinho. E bem, temos certeza.

Leandro, você é o único que me entende (André).

Beijos


Godo em 10 de agosto de 2006

Josy, vou querer o arquivo de vídeo desta cena assim que ela acontecer.

Hhehehe.

Ah, eu adoro essa música. Essa e "Humps", aquela do "My lovely lady lumps".


Rachel em 10 de agosto de 2006

Foi o melhor texto de vcs! Junto e separado!

Adorei! Agora, tirar espuma de chopp sem pressão não acontece naquele barzinho no iguatemi, não...

bjs


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