Master, da Grow | 20 de setembro de 2006
Muita gente acha que certos programas dependem de outros casais, ou de outras pessoas, para serem um sucesso. Nada de casa de swing, não pensem bobagem. Estou falando do único e eterno vício deste casal de colunistas: o Master. Tente se lembrar da última vez que você jogou Master na vida. Provavelmente foi com um galerão, há algum tempo, na casa de amigos ou em qualquer viagem boba. Eu e o André jogamos Master no sábado passado. Na quarta passada também. E ainda no fim de semana anterior. Sozinhos.
Tudo começou com um inocente jogo de Perfil, que a gente comprou e levou para um pub em Ipanema, um dos lugares mais freqüentados por este casal que vos escreve. Isso faz bastante tempo, mas eu lembro que só conseguimos sair de lá umas cinco horas depois, com quase todos os cartões do jogo usados. Hoje, além do Perfil (versões 2 e 3), a gente joga Master (versões 2 e 3), 21, pôquer, 7 1/2, jogo dos anos 80 e qualquer outra coisa que cair nas nossas mãos. Sozinhos.
O nosso jogo de Master de sábado foi ótimo. Ótimo porque eu ganhei duas vezes. Mas não porque eu sou ótima, tenho que admitir. Ganhei porque comecei respondendo perguntas de duas áreas em que realmente mando bem: entretenimento e cotidiano (e que não são lá tão difíceis, eu sei). E porque fiz questão de não seguir a ordem correta dos cartões e de escolher as perguntas mais difíceis para o André (e é neste exato momento que ele descobre que eu roubo nos jogos de Master). Mesmo assim, o canalha acertou perguntas como “Quem é o poeta português, nascido em 1765, conhecido por sua exuberante veia erótico-satírica?”, “Io é satélite de que planeta?” e ainda “Que metal pode ser manchado pelo cogumelo venenoso?”. Cogumelo venenoso? Como assim?
Mas era eu quem sabia em qual programa infantil a Sônia Braga havia trabalhado, o nome do líder do grupo teatral Ornitorrinco e o nome da filha de Charles Chaplin. Ninguém me barra no entretenimento, sinto muito.
O único problema é que no meio do caminho para a vitória, em um jogo de Master disputado com o André, há muitas pedras. Para cada pergunta, uma aposta. O questionamento padrão do rapaz nas nossas competições é: “O que eu vou ganhar se acertar a próxima pergunta?”. E eu me vejo obrigada a concordar com os pedidos mais embaraçosos que ele faz só para podermos continuar com a partida. Tudo bem, é divertido.
Não faz muito tempo, uma amiga me disse que acreditava firmemente que o nosso namoro, meu e do André, jamais terminaria. Achei aquilo muito bonito, mas não entendi de onde havia surgido tal conclusão. Quando perguntei por que cargas d’água ela tinha tanta fé no meu relacionamento, veio a resposta reveladora: “Cara, vocês se bastam. Muito mais do que muitos casais que já vi por aí. Vocês saem sozinhos para dançar, para tomar chope e para um monte de outras coisas e sempre se divertem”.
Pois é, além da mesa de bar e da pista de dança, lembrei do Master, mais um na infinita lista de programas que mesmo hoje, um ano e quatro meses depois do início do relacionamento, a gente ainda faz a dois. E se diverte. Acho que muita gente, depois de ler esse texto, também vai ter certeza de que a gente se basta. Alguma boa alma pode, então, me ajudar a convencer o André a parar com essa história de casa de swing?
Josy
Mesmo com duas festas interessantes nos esperando na cidade, nosso programa, meu e de Josy, do último sábado foi uma inofensiva partida de Master, acompanhada de meio litro de caipivodka de morango, feita com Absolut. A gente joga sozinho mesmo, um contra o outro, e há uma semelhança fundamental na maneira que jogamos: ambos, tanto eu quanto Josy, torcemos para a vitória dela.
Isso não quer dizer, porém, que eu não me esforce e, muito menos, que Josy não tenha méritos quando vence. Apenas procuro ajudar numa pergunta ou noutra e garanto que nunca erro propositalmente. Ela vence por suas próprias pernas, apesar de minha torcida. E, importante, não sou um namorado altruísta, super bacana como a canção do Caetano. Torcer para sua vitória é, de certa forma, torcer para sua satisfação, o que é, de outra forma, torcer para a minha alegria. Alegrias são mais importantes que vitórias, espero que vocês saibam.
É como na Teoria dos Jogos, em que se estuda as escolhas a partir de custos e benefícios variáveis conforme a escolha do adversário. Se eu ganho, fico satisfeito pela vitória e Josy decepcionada pela derrota. Se Josy ganha, ela fica satisfeita pela vitória, eu fico decepcionado pela derrota, mas fico, também, feliz pela vitória dela. Meu esforço no jogo é condicionado pela sensação que mais interessa no momento: satisfação ou alegria.
Apenas quando fazemos apostas eu me esforço dois minutos a mais para vencer as partidas. Porque a maior graça de um jogo está em criar outro jogo dentro dele. Lembram do velho War em que resolvíamos implicar com um adversário entre outros tantos e ficávamos tentando aniquilar todos os seus exércitos, independentemente de qual fosse nosso objetivo? Pequenos desafios dentro de um contexto maior podem ser mais divertidos do que simplesmente ser o campeão daquele contexto.
Entre essas pequenas apostas, já consegui que Josy parasse de fumar (mas ela não cumpriu) e ela já me fez ficar uns dias sem reclamar do cigarro (também não cumpri, para manter o equilíbrio no jogo). Já obtivemos, tanto lá, quanto cá, outras pequenas vitórias muito mais interessantes do que as relacionadas ao cigarro, mas impublicáveis num tempo que casais não podem mais fazer um amorzinho gostoso na praia sem serem incomodados.
Nosso vício por jogos a dois começou num feriado em que compramos um Perfil e resolvemos passar seis horas seguidas jogando num bar de Ipanema. Entre tantas, eu ganhei uma partida quando ela não adivinhou o Toulouse Lautrec e ela ganhou outra quando eu não tive a menor idéia de quem era o DJ que tocava no programa da Adriane Galisteu, ou algo assim. Saímos de lá bêbados, com cabeça e bunda doendo, mas deslumbrados com a descoberta de uma atividade agradável para os dois pólos do casal.
Desde então, jogos de tabuleiros, desses de pergunta e resposta, fazem parte de nosso cotidiano. Assim, o Master pode ter parado aqui simplesmente porque ele é um importante fator de nossa diversão ou porque andamos pouco criativos na escolha de programas e temas da coluna. Eu, do lado de cá, aposto na primeira opção, apesar de Josy, do lado de lá, ficar com a segunda, tenho certeza. Nos jogos de Master, tento apostar também nossa ida a uma Casa de Swing e ela sempre diz não. Alguém ainda aposta que a Casa de Swing vai parar nesta coluna?
André

Comentários Enviados
Carlos em 28 de setembro de 2006
Jogos podem ser um veneno. Não é por acaso que o jogo Imagem & Ação é conhecido como Imagem & Separação...
Mariana em 27 de setembro de 2006
AHAHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHAAHHAAHHAHAHAHAHAHAHHA, sensacional essa coluna! e o comentário do Godo, então, tô chorando aqui.
Josy, eu sabia qual programa infantil Sonia Braga fez :-)
e esqueci como se joga 21.
Lúcia em 24 de setembro de 2006
Finalmente entrando num DOMINGO e de um computador não-bloqueado: ADORO a coluna de vocês...
Muito boa essa do Master!
E espero que a casa de Swing renda boas histórias.
:)
Mila em 21 de setembro de 2006
"amorzinho gostoso na praia sem serem incomodados. "
hahahahaha
eu adoro jogar!
"É" as mulheres! oba!
Chr!sk em 21 de setembro de 2006
Dois pontos:
1. Vocês se bastam num momento chamado sempre (mesmo que esse se acabe, com o fim de um ou de outro, pelo ciclo de vida, ou pelo saturar que as relações estão passíveis);
2. Eu torço pela cristalização de vocês. Um casal fofo de se ler, numa coluna que serve meio como terapia para a relação.
Godo em 21 de setembro de 2006
Confio no bom-senso cosmopolita da Josy em deixar o Andy longe de vários peladões vidrados em gordinhos.
Rodrigo Levino em 20 de setembro de 2006
Ha ha ha! Eu aposto uma rodada de Master como isso não vai acontecer =P