Acabou. Vocês leriam nesta coluna como foi, para mim, viajar uma semana sem a Josy; e como foi, para ela, ficar uma semana no Rio sem mim. Mas não, não vou contar minha experiência em Melbourne, onde um repórter francês me concedeu uma piscadela e um tapinha na bunda depois de perguntar se eu iria numa festa quinta-feira à noite. Sem uma contrapartida no que costumava ser o lado de lá da coluna, minhas histórias na Austrália, 13 horas de distância do que acontecia no Rio, ficam sem graça.
Mas não achem que acabou porque eu cedi ao biquinho do francês dizendo "je veux te manger". Preferi dormir na quinta à noite e não, a coluna não se encerra numa confissão homossexual. Acabou mesmo porque tudo de bom (bom?) chega ao fim numa hora ou noutra. Mas não sejam levianos para tirar conseqüências apressadas sobre o que teria acontecido com o casal para levar a coluna à bancarrota. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.
Assim, só não vou dizer que meu paletó vai continuar enlaçando o vestido de Josy, porque eu raramente visto paletós. Como tampouco uso sapatos. O motivo do término da coluna é bem mais simples do que um rompimento prematuro numa relação que, como está escrito aí no alto, começou em meados de 2005. Ela, a Josy, anda ocupada demais para escrever: trabalho, mestrado e vida de dona de casa não são coisas simples. Falo por acompanhar de perto sua rotina, não por experiência, deixo claro - não sou dono de casa alguma, só me inscrevi numa pós para não parecer inferior a minha namorada, e sou conhecido pelo estilo minimalista de trabalhar.
Pois bem, talvez um dia ela volte, mas ao menos por enquanto foi-se embora a "Não nos arrependemos daquele sábado". A CEO deste portal, Mila C., está sendo informada da novidade como todo mundo, lendo este texto sem rumo, sem noção de qual horizonte seguir. Porque, caso Mila C. não se oponha, pretendo continuar ocupando esse espaço com algumas palavras. Sei, porém, que a falta da foto (vou mudar) e do nome da descrição (também vou mudar) de Josy que aparece aí em cima vai afastar os já poucos leitores que temos. Ela tem muitos amigos. De mim, poucos gostam.
Mais um problema em continuar é achar um tema para guiar esta carroça. Não quero perder o tempo de ninguém divagando sobre minha vida, que não tem muita graça sem Josy para compartilhar programas e textos. Gosto de política, cinema, música, literatura e artes plásticas, mas não sei se me animo, no momento, a escrever sobre qualquer um desses assuntos. Não quero parecer pernóstico com citações eruditas.
Outra possibilidade seria escrever contos curtos, mas minha ficção anda muito capenga de uns meses para cá. Portanto, meu problema atual, o maior deles, é achar um tema para esta coluna. Um tema e um novo nome. Conto com a ajuda dos poucos leitores que temos e dos pouquíssimos que eu terei para que encontremos a melhor solução para mim e para vocês.
Ah, é lógico que temas como "bebida" ou "couvert" estão previamente descartados para não atiçar rivalidades ou estimular concorrência. Também não sei escrever sobre biologia molecular ou o cotidiano de uma high school americana pós atentados de maníacos com espingardas. Se não aparecer um bom tema até a próxima quarta, talvez eu transforme isso aqui num guia de viagem e fale de como é pouco agradável a alta amplitude térmica de Melbourne. Mas eu não viajo tanto para escrever sobre um canto interessante a cada semana, gente, e não quero fazer uma coluna sobre Teresópolis, Búzios ou São Gonçalo.
Pensem e me ajudem a decidir. E ajudem, também, a convencer a Mila C. a me deixar continuar usando este espaço. Quem sabe Josy não aparece de vez em quando para fazer uma participação especial e explicar por que não nos arrependemos daquele sábado?
André
Josy, que pena, sentiremos sua falta. André, vc JÁ parece pernóstico com suas citações eruditas, rs.
Mila C. deixa o inquilino continuar por aqui. Ele vai dessarumar o espaço ao modo dele, que sem ela pode perder o encanto da dualidade (às vezes pluralidade) de uma mesma situação vista por diferentes vistas.
Boa sorte Josy!