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Ainda não sou pai, Garotinho | 04 de novembro de 2006

Eu não sou um grande repórter e, mesmo que fosse, não acho que vocês teriam lá muita paciência para um "grande repórter" escrevendo causos da profissão aqui. Mas vou, sim, apelar para o jornalismo para dar continuidade a esta coluna. Já se passaram dois textos capengas (e atrasados) sem que eu encontrasse um razoável caminho a seguir. Não sei se encontrei o melhor, mas é melhor caminhar por estradas tortuosas do que ficar parado, poderia escrever o Humberto Gessinger, o Cazuza, ou outro dos "geniais" poetas do rock brasileiro.

A coluna, que um dia tratou do cotidiano de um casal, com um quê de ficção e outro de realidade, vai agora falar do cotidiano de um repórter, com um quê de ficção e outro de realidade. Mas apenas com um aspecto da profissão como foco: a entrevista.

Não sou péla-saco, portanto não vou escrever que entrevistar é uma arte. Não o é. Entrevistar nada mais é do que bater um bom papo com alguém que, usualmente, entende mais de um assunto do que o repórter. Muita gente boa da profissão pode aparecer com fórmulas mágicas para uma boa entrevista, em que se arranca aquela frase bombástica do entrevistado ou se descobre o segredo escondido a sete chaves. Mas vamos deixar uma coisa bem clara: cada entrevista é diferente uma da outra e não adianta ficar criando fórmulas. O que há de certo mesmo são duas (ou mais) pessoas batendo um papo, tête-à-tête. O que sai daí depende apenas da simpatia, capacidade de argumentação, conhecimento sobre o assunto... características necessárias para qualquer boa conversa, seja uma entrevista, seja uma discussão de bêbados em bar.

E ainda assim, mesmo quando se é bom de papo, é impossível prever o que vai acontecer na entrevista. Certa vez me mandaram fazer plantão na porta da igreja em que o eterno candidato a presidente Anthony Garotinho gosta de ajoelhar e rezar. Era Dia dos Pais e eu fiquei lá esperando o culto acabar para conversar com o homem, que ocupava a secretaria de Segurança do Rio, enquanto sua mulher, a Rosinha, era a governadora.

Eu tinha que perguntar umas coisas sobre a atuação da polícia nas favelas cariocas e outros detalhes que não me recordo. Isso foi há uns dois anos, minha memória não é tão perfeita assim, apesar de raramente eu gravar uma entrevista. Mas me lembro bem que, antes que eu perguntasse qualquer coisa, Garotinho se virou para mim e disse: "qual é o seu nome, meu jovem? André? André, feliz dia dos pais. Você ainda não é pai? Mas um dia vai ser, tenho certeza".

Nenhum manual de jornalismo vai me explicar como reagir quando um sujeito diz uma coisa dessa numa entrevista. Maldição? Praga? Boa fortuna? Até hoje não sei o que a previsão de um Garotinho, saído de um culto religioso, pode significar. Ainda não sou pai, mas espero não demorar tanto para que a profecia se concretize e eu possa aceitar bem a congratulação do eterno candidato a presidente. Acho que, se eu tivesse um filho, poderia dizer facilmente "obrigado, secretário, mas eu gostaria de perguntar..." e não ficar parado com cara de babaca enquanto ele sorria e me deixava para trás. Maldita entrevista.

PS1. Em breve, espero poder mudar a foto lá do alto e a descrição da coluna. Mas, para quem interessar, Josy está bem, obrigado.

PS2. Desculpem-me pelos atrasos. Vou me esforçar para que eles não aconteçam novamente.

seta André



seta Comentários Enviados
Mariana em 22 de novembro de 2006

AM, dizer ao mundo que quer ter um filho com uma mulher eh a maior prova de amor que um homem pode dar. Vc esta se superando!!! Isso mostra que os cafajestes podem se redimir diante de um amor incontestavel. Vide Flavio Pessoa, ahahahhaha!


Mila em 13 de novembro de 2006

Caramba, outro chá de bebe? não!
André, já parou pra pensar que o ex-seminarista vai ter um filho judeu?


Eduardo em 13 de novembro de 2006

Josy grávida? De quem? Do Garotinho?


LHA em 09 de novembro de 2006

Conhece aquela piada do português que não tem peixe e é viado? Isso é lógica, meu querido. A mesma coisa me faz ter certeza de que uma coluna em que você fala que quer ter filhos e escreve que a Josy está bem significa que ela está grávida!


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