Não sei quem inventou essa história de os homens serem todos iguais. E nem quero saber. Viraria uma fã tão ardorosa que desejaria saber todos os pensamentos desta sábia pessoa e colaria nela, quem sabe casaria com ela...
É claro que uns são mais iguais, outros menos, é preciso admitir. Mas não há necessidade de ser viajada, falar quatro idiomas ou ter tido muitas experiências para perceber que tal máxima tem fundamento. Todos os homens entre oito e 80 são idênticos.
São assim porque têm os mesmos medos e inseguranças e porque expressam os mesmos sentimentos e guardam as mesmas frustrações. Se nós mulheres não fôssemos tão esquisitas, no sentido de às vezes não saber o que queremos ou não termos coragem de expor, diria que seria mole mole essa relação homem-mulher.
Afinal, se você já desbravou um, e esse não será o primeiro nem o último, não há razão para encontrar mistérios daqueles que fazem você querer cair no poço do elevador e passar lá uma semana inteira no úmido e no escuro.
Ainda assim, é difícil entender o que se passa na cabeça desses meninos. Um dia, eles se derretem, prometem mundos e fundos e até te convidam para um fim de semana em Paris para, no dia seguinte, desaparecer, sumir sem deixar nenhum vestígio.
Será que se assustam quando a gente diz que sempre sonhou passar o sábado caminhando de mãos dadas à beira do Sena e terminar o dia tomando champanhe no Trocadéro?!
Um telefonemazinho (um e-mail ou até torpedo, estamos na era da tecnologia!) não seria tão esclarecedor neste momento. Para bom entendedor, só o alô já interessa. Mas não, esses monstros preferem nos fazem esperar horas ao lado do telefone (celular, está certo), enquanto sonhamos com uma vida inteira de romance, amor e tesão, filhos que vão se chamar João e Maria – ou qualquer nome antigo, para homenagear nossos avós – e terão o cabelo em estilo príncipe valente que seu príncipe encantado tinha quando criança.
Sonhar não custa mesmo nada...
Quando a gente consegue sobreviver ao primeiro estágio do relacionamento, quando só os dez passos dos alcoólicos anônimos seguram a ansiedade, a coisa fica um pouquinho mais complicada. Complicada e perfeitinha. Eles começam a dominar nossa vida. Entram de uma maneira tão arrebatadora, que, com alguma certeza, nunca mais voltaremos a ser a mesma mulher.
Talvez seja o início da maternidade de uma forma um tanto quanto equivocada. Não somos e não queremos ser mães daquele infeliz, embora ele faça quase tudo para que o alimentemos, cuidemos de sua casa e o defendamos desse mundo cruel.
Às ordens! Só que como ele não saiu de nós e, óbvio, foi gerado por outra maluca (atenção, mãe de homem é mais casta e pura que Nossa Senhora, não podemos xingar para não sermos execradas!), fica difícil estabelecer tão definitiva hierarquia.
Neste momento, tentamos nos desvencilhar, prometemos para nós mesmas agüentar o tranco e afastar esses pensamentos sórdidos. Mas, na primeira noite em que a perna dele pousa sobre nossas coxas e sentimos uma respiração que não é a nossa sobre os seios, meu deus, que papelão, foi tudo em vão. Os cabelos da nuca ficam arrepiados e prometemos, ao inverso, nunca mais sair dali.
Nunca mais amaldiçoaremos aquele aconchego e, pior, teremos a ilusão de que aquele ali apagado ao seu lado é diferente. Deixa estar. No futuro, próximo ou distante, descobriremos que, oquei, pode ser que ele tenha sido um pouquinho menos que igual que a maioria.
Nina Mansur