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Yankees, go home! | 07 de dezembro de 2006

Spam, só pode ser. Deletei sem nenhuma cerimônia os dois primeiros e-mails. Além do texto fraco, a idéia central – ao menos nos dois parágrafos que me dispus a ler – pareceu mais um dos incontáveis protestos-quase-lendas-urbanas que aportam todos os dias no meu correio eletrônico.

Lista só a de presença. E como há meses não ponho os pés na faculdade, permaneço abstêmio dos manifestos, cartas de apoio, o escambau. Não sou bom, não quero ser justo nem dono da verdade e não assino embaixo de quem quer que seja.

No entanto, a coisa foi tomando corpo. Em pouco mais de três dias as listas de discussão das quais participo começaram levantar o tema. Em anexo os protestos, os abaixo-assinados e boicotes. Brasileiros uni-vos! A nossa tão cândida imagem de povo hospitaleiro, alegre e cheio de ginga corre perigo.

Explico: atende por "Turistas" a nova polêmica lowbrow que toma conta de alguns conterrâneos, apaixonados que são por este imenso elefante branco com balangandãs verdes cor de floresta, amarelo de ouro e azul do céu mais cintilante deste hemisfério sul.

Um filme de quinta categoria, desses pipocões americanos do tipo “Eu sei o que vocês fizeram...” anda tirando o sono de ufanistas e enchendo a minha pobre caixinha de e-mails e meu saco idem.

O trailer é “assustador”. Com aquela voz de programas de rádio by night romantic o narrador anuncia: “Num país onde vale tudo...” Pois é nesse país onde vale tudo, vulgo Brasil, que cinco jovens americanos decidem gozar as suas férias. Resumindo (sim, porque esse é mais um daqueles filmes onde o trailer não apenas apresenta como entrega o filme de cara): os cinco mancebos caem no golpe do “boa noite Cinderela”. Daí para o seqüestro e a tortura é um pulo. Num país que vale tudo...

Óóóóóóó! Como assim? Quem esses americanos pensam que são para difamar assim a nossa imagem pelo mundo afora através de um filme? Quem disse que aqui vale tudo? Mas que vão todos à puta que os pariu, que sintam agora nas películas a força do nosso boicote nacional-socialista bronzeado!

E tome vaia, comunidades no Orkut, bandeirinhas flamejantes de “Yankees, go home!”. Um festival de clichês e brados contra o imperialismo americano, o capitalismo selvagem que distorce, compra e adultera nossas pobres matas, moças e dignidade virgens.

Então, eu pergunto: de que nos serve tanto? Aonde vamos chegar com uma indignação tão fácil e certeira, enquanto as nossas bundas não levantam um palmo para perguntar onde diabos o Brasil real – que nem difere em larguíssima escala do que é mostrado no filme – vai parar com tanta falsa crise e falta de rumo?

Eu morava a poucos metros do hotel, onde ano passado a polícia encontrou o corpo de um espanhol. Assassinado a facadas, depois se descobriu um plano ardiloso que envolvia drogas, sexo e extorsão por parte de um casal de brasileiros contra o agora defunto. Tudo isso a poucos metros e, que lastimável, não escrevi um roteiro a tempo de sabotar “Turistas”, contando a mesmíssima história!

De uma das listas de discussão saíram com a idéia de produzir filmes em massa mostrando as mazelas dos EUA e dos países ricos que tanto nos maltratam. Ora crianças, para isso precisaríamos ter aulas com Spike Lee, Michael Moore, Noam Chomsky, De Lyllo e tantos outros que há décadas corroem com suas críticas ácidas o american way of life e seu completo desinteresse em checar os fatos além-fronteiras, preferindo viver de esterótipos.

Enquanto nos preocupamos demais com um filme, abrimos as páginas dos jornais e “Turistas” parece fichinha diante do caos nos aeroportos, da falta de política pública que consiga dar futuro e não apenas comida, onde os nossos jovens consigam ter educação, profissão e futuro, para não caírem no mundo do crime e todos os dias, debaixo das nossas narinas carcomidas de pó, encenarem o mesmo filme que agora causa tanta gritaria.

É que é fácil demais gritar contra quem está longe. Ouvir o que o vizinho diz e o nosso futuro negro grita vai ficando cada vez mais complicado, afinal, o barulho da sala de cinema é grande demais.

Sem contar que é muito mais fácil sair de lá reclamando porque perdeu alguns trocados, do que se indignar de verdade contra os milhões que vazam todos os dias e pagariam dezenas de “Turistas”. Dos nossos bolsos, o que é pior, até chegar ao ponto de que um ingresso de cinema nos será inatingível. Já pensou? Acorda cambada!

seta Rodrigo Levino

seta Comentários Enviados
vermelho em 17 de abril de 2007

Rodrigo Levino, vc é um idiota!

Ser conivente com essa palhaçada hollywoodiana é digno de tapas na cara...

Pergunte aos próprios yankees se eles fazem o "nativos" deles...Não vale citar o Michael Moore, pois não se trata de glamour hoolywoodiano...

Permitir que os palhaços lucrem em cima de nossos problemas, é o mesmo que permitir o uso do seu cartão de crédito por estranhos...

Seu burguesinho de m.!


HAMILTON em 22 de dezembro de 2006

VC EH UM LUXO...AMEI O TEXTO FALANDO DO "TURISTAS"....

PERFEITO...

hd


Tato Pedrosa em 13 de dezembro de 2006

Quando comecei a ler teu artigo pensei que tu fôsses rechaçar o filme também, Levino, mas (aê!) não. Que bom que não sou o único realista nestas paragens.


kamila em 09 de dezembro de 2006

Fora um tal episódio dos Simpsons (eu não vi) em que eles visitam o Rio de Janeiro e, só acontece desgraça. Por que não experimentamos fazer um "Nativos"? Ah, é que tem aquela história de parecermos bonitinhos e amigáveis pros outros nos visitarem, né? 24 quadros por segundo durante horas nem seriam suficientes pra mostrar os quadros absurdos que devem ter por aí.


Godo em 08 de dezembro de 2006

Brasileiro não sabe brincar. Aliás, a Karina Bacchi também não.


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