Embora este seja um tema bem recorrente, a noite sempre rende muito pano para manga. Primeiro porque aproveitá-la é, para mim, quase um estudo antropológico. Para começar, sou uma pessoa do dia. Sim, três vezes por semana acordo por volta das 6h; nos outros dias úteis, apenas uma horinha depois. O que, quando vem chegando maio, é um tormento. Levanto da cama ainda de noite, está escuro, frio, silencioso. Meu ideal de vida é me recolher, com todas as tarefas cumpridas, até umas 22h. Deixar o livro de lado e ir escorregando pela cabeceira da cama até encaixar no travesseiro e apagar a luz. Seu lugar quentinho, corpo relaxando, olho quase lá.
Mas a noite, mais do que diversão – e não azaração irrestrita e completa, na minha modesta opinião – é um celeiro de comportamentos, de novas tendências, de boas idéias e de, desculpem, um certo desespero. O que não deixa de ser divertido a seu modo, se pensarmos bem.
Não sou mais uma garotinha. Desisti faz tempo das noites da moda porque, primeiro, não sou uma pessoa da moda. E, depois, porque esta programação é quase sempre muito previsível. Dificilmente você conhecerá gente interessante e com conteúdo numa dessas boates com menos de um ano de existência. Bom, o fato é que a noite de uma forma geral é jovem. Aliás, mais que isso, ela consegue ser adolescente. Poucos sabem cantar aquela sua música preferida – e muitos se espantam quando você acompanha by heart. Acham que puxar o cabelo ou pegar na sua mão, quando você não faz idéia de quem seja ou de onde vem, é uma abordagem bacana.
Mas antes de me desesperar, acho graça até das cantadas, que têm perdido muito em originalidade. E quando os moços não conseguem ser criativos, é porque a coisa tá feia... Já fui elogiada pelo volume do meu cabelo – confesso que achei legal mas também meio gay, afinal homem não se liga nisso, não é mesmo? –, já ouvi gracinhas quanto ao meu nome e já vi papo morrer depois de duas medíocres perguntas.
– Oi, e aí, posso saber seu nome?
– Pode, claro. É Nina
– Ã, como?
Risos
– Nina. N – I – N – A
– Ah, tá. Você trabalha ou estuda?
Silêncio precedido de mau humor. Não acho que perguntar o nome logo de cara seja importante, a não ser, no meu caso, quando esbarrar na coincidência de encontrar um xará é quase como ganhar na loteria. Eu, por exemplo, nunca passei do terno na megasena... O que mata, na realidade, é o "trabalha ou estuda?". Prefiro não comentar. Mas não é tão mais legal ser surpreendido pelo destino depois daquele primeiro embate?
A grande arte é não criar ansiedade. Roupa nova e cheirosa, oquei. Expectativa de ir embora dali dizendo que foi a melhor saída da vida, nem tanto. Quer dizer: menos, muito menos.
"Trabalha ou estuda" é a prova que os papos reais, ainda não saíram dos virtuais. Aliás, virtuais dos tempos de mIRC. Ou será que os virtuais só mantiveram os reais? Deu nó agora =/
Ps.: Menina, tem uma citação à sua pessoa na minha coluna Fora do Eixo. Depois pago os royolties =P