Todo mundo sabe que homens e mulheres já começam a ser diferentes dentro da barriga da mãe. Dizem que barriga de filho homem é de um jeito, a de filha mulher ganha outra forma. A partir daí, tome diferença. Para começar, homens e mulheres jamais serão iguais. Economicamente? Sim, sem dúvida. Socialmente? Duvido. Se usarmos uma explicação bem simples, banal e corriqueira, exatamente porque os corpos masculinos são daquele jeito e os femininos, não. E, por isso, toda a percepção do mundo, das coisas, dos acontecimentos nunca vai ser sequer parecida.
Isso tudo é para abrir a discussão sobre como as pessoas recebem notícias, escutam músicas e entendem alguns filmes, por exemplo. Acho que “Amor em cinco tempos”, do parisiense François Ozon, passa por isso. Quem já viu o longa, por favor, continue. Quem não viu e quer ver, talvez seja melhor deixar para acessar esse espaço na semana que vem. Grosso modo, a história é a seguinte: homem e mulher que foram casados assinam os papéis do divórcio. Em seguida, vão para um quarto de hotel, onde tentam transar. Ela percebe que não vai rolar; ele força e consegue. Ela vai embora arrasada. Depois disso, mais quatro pequenos e contundentes espécies de episódios contam as desavenças e desencontros dos dois de frente para trás, tudo sempre acabando mal.
A primeira coisa que passou pela minha cabeça foi: “O que leva um casal que acabou de se separar oficialmente – de fato eles já estavam havia um tempinho – a fazer isso?” Concluí que algo estava errado. Pelas seqüências seguintes, percebe-se que toda a estrutura estava truncada desde quando se conheceram, historinha que vem fechar a tampa do filme e deixar questões sobre rotina, casamento, traição, filhos, angústias, experimentações etc no ar.
Seguindo a ordem cronológica, ele passava férias com uma namorada numa praia italiana, ela tinha acabado um relacionamento e estava sozinha. Já se conheciam. Logo depois, se casam apaixonados. Mas na noite de núpcias, ele apaga e ela acaba transando com um hóspede desconhecido qualquer do hotel onde houve a festa. Grávida, não recebe a visita do marido na maternidade, nem no dia do nascimento do filho dos dois nem no dia seguinte. Por fim, numa noite com o cunhado e o namorado, ele conta que só a traiu uma vez, numa orgia em que ambos estavam.
Quando as luzes do cinema se acendem, a pergunta é sempre a mesma: “Gostou?” Reproduzo aqui o diálogo com minha companhia. Masculina, obviamente.
– Não - respondeu ele.
– Por quê?
– Achei muito clichê o modo como ele conta a história.
– Mas você acha clichê essa história? Como um pai não aparece na maternidade no dia do nascimento do filho? Mesmo que ele detestasse a mulher, mesmo que quisesse vê-la esquartejada, o menino é filho dele! – protestei. – E nem estou achando péssimo o fato de ele ter dormido na noite de núpcias. Acho que ela é culpada, poderia ter chapado também.
Protestos em vão. A história de um casal todo errado não gerou o mesmo impacto na gente. O meio, para ele, teve muito mais importância que o todo para mim. E acho que na maioria das vezes é assim que acontece entre homens e mulheres. Em assuntos profissionais, familiares, culturais, gastronômicos e tal, os detalhes serão sempre muito mais importantes para as mulheres. Basta ver a primeira resposta, como se um simples não bastasse.
Sei lá. As duas coisas são terríveis, mas o que mais me chocou foi a história de sumir da maternidade. O bebê é filho do cara também!
Se uma insensibilidade absurda.
É a vida...
Nossa, é o mesmo filme que eu falei no meu blog ontem! Eu concordo totalmente com as diferenças de ponto de vista. Tive uma discussão com meu namorado sobre isso: o que é o pior, a traição na lua de mel, ou o abandono na hora do parto? Bjs!
Eli, agora que já sabe o caminho, volte sempre!
beijo
De clichê não tem nada! Às vezes acho que falta um pouco de sensibilidade nos moços e sobra na gente...
Mas somos felizes assim, fazer o quê?
beijo
Só foi difícil achar onde ficava o texto, mas depois que vc me indicou, foi fácil, fácil de ler... amei....
Putz, fui ver "Amor em cinco tempos" há dois dias atrás. Fiquei pensando no filme por muito, muito tempo. E discordo da classificação "clichê"! Sou uma mulher, afinal... ehehehe
bjs!