Há uns anos li numa crônica do Verissimo que todo mundo tinha um lado B. E que o dele se manifestava nas festas familiares de Natal, quando gostava de ouvir discos de bolero até que conseguisse expulsar todos os convivas. A partir daí, comecei a notar e a anotar essas esquisitices que as pessoas apresentam, traços ocultos na personalidade de todo e qualquer ser humano.
Numa madrugada insone dessas, zapeando pela TV a cabo, parei num Sex & The City (não tenho nenhum tipo de relação com o seriado, que fique claro) em que o namorado de Carrie Bradshaw – já repararam em como essa personagem só cai em roubadas? –, um político influente, boa pinta, tipo genro-que-mamãe-pediu-a-Deus, solta que gosta que suas parceiras sexuais urinem nele. Não lembro agora os detalhes ou o porquê de ter ficado tão impressionada (acho que porque a tradução usou o verbo urinar enquanto a palavra empregada por ele era seguramente outra, bem menos aconselhável na TV), mas acabei pensando nisso, em como somos cheios de lados B de gosto duvidoso e, de certa forma, também adoráveis.
Pescando um ou outro desvio de personalidade de amigos, descobri que gostar de bolero nem pode ser considerado um lado B. Um amigo contou que costuma encantar as futuras namoradas que carrega para casa com um disco de Luis Miguel (aquele que tem La Barca, claro). Liga o som quando as coisas ainda estão mornas, se põe de pé e arrasta as mocinhas.
– Até hoje nunca ouvi um não! – conta ele.
Inacreditável! Eu mesmo não sei o que faria se recebesse tal convite, dificilmente soaria algo natural.
– Algumas ficam com aquela cara de “essa pessoa está louca?”, mas em segundos começamos a nos divertir, quebramos o gelo e fica tudo certo.
O mais curioso é tentar refazer a cena. Esse amigo não é um pé-de-valsa definitivamente. É desengonçado, sem ritmo, meio torto. E nunca o vi dançando por aí, em festas da vida. A explicação é uma só e do próprio:
– Entre quatro paredes, todo mundo topa fazer as coisas que acha que não deveria fazer em público.
Taí, ele tem alguma razão... Depois disso, comecei a pensar no meu lado avesso. Descobri que sou Amélia – e quase caí para trás com essa informação –, que gosto da cerveja Itaipava, que adoro comediazinhas românticas, que choro quando o hino nacional é executado em competições esportivas e que, sim!, tenho guardado em algum lugar lá no fundo um ciuminho de quase tudo. Mas, por favor, não espalhem...
Bon Jovi é um lado b clássico!
Vc não está sozinho neste mundo...
Deus do céu... meu lado B não tem nada daquele programa que o Kid Vinil apresentava na MTV, hehehe. E tome Bon Jovi cantando Always às quatro da manhã, bêbado às quedas e achando tudo lindo... fecha a cortina.