Há uns dois anos, mais ou menos, procurei um especialista em acupuntura para me ajudar a minimizar as dores de uma tendinite. Nervosa, fui para a primeira sessão, que durou uma eternidade até as agulhadas em si. Conversamos, falei da minha vida, do meu trabalho, de alguns medos, receios e tal. Uma hora de papo até ele de fato me examinar. Tocou nos meus punhos – onde, coincidentemente, era a dor – e disse que eu era uma pessoa muito sonhadora. Disse outras coisas, que também conferiam, mas isso foi o que mais me impressionou. Desde então penso no que é sonhar e no que é ter sonhos, que podem significar coisas completamente diferentes.
Saí da consulta meio atordoada. E descobri que sim, sou sonhadora. Mas em todas as acepções do termo. Porque durmo muito e não descanso, porque a cabeça vive a mil, porque planejo a vida até dos outros, porque sou ansiosa, porque às vezes estou no mundo da lua. Sonho, no meu caso e no de muitos, virou sinônimo de angústia. E foi triste constatar que ter sonhos é algo que a nossa geração (a geração dos 30, talvez) desistiu de buscar. Nenhum dos meus amigos diz que daqui a dez anos, por exemplo, gostaria de estar trabalhando em tal lugar, ou morando na cidade x ou cheio de filhos.
Ando numa fase um pouco pessimista e melancólica. Sonhar tem significado acordar no susto, suando e estressada. Por isso, parei de desejar aos conhecidos e queridos que seus sonhos sejam realizados.