Isso não constava das minhas resoluções de ano novo, mas acabei desenvolvendo, involuntariamente, uma total intolerância às pessoas burras. Tenho alergia. Me dá calafrios ter de repetir perguntas imbecis e concordar com perguntas que, quando ouço, tenho de tampar a boca correndo para não emitir comentários antipáticos ou explodir naquele sorriso irônico.
Telemarketing é um típico caso. Em vez de gritar, xingar, se estressar e perder anos de vida, podia apenas rir da situação. Porque eu ainda não entendi a razão de empregar uma pessoa que não pode resolver o seu problema, não consegue te ajudar a resolvê-lo e não tem capacidade nem para te consolar. A mesma coisa acontece quando você liga para alguém profissionalmente e a pessoa não está. Querendo ser simpático, quem atende pergunta se pode ajudar. Você explica tudo, em detalhes, para tentar esclarecer o assunto ao máximo. Depois de cinco minutos, gentilmente, o outro diz: “Desculpe, mas é só com fulano mesmo”. Pode notar que, neste tipo de situação, a simpatia quase sempre vem suprir a falta de QI.
Burrice também anda de braços dados com a surdez. Muitas vezes podem se confundir. Você acha que a pessoa é burra, mas ela é tão esperta que criou um filtro e só registra o que é importante. Deveríamos aprender com essas, que, sim, irritam os outros, mas não são infelizes como os mais dotados intelectualmente, cheios de conflitos, de questões, de abismos. Como diz um amigo complicado: “Seria mais feliz se fosse mais ignorante”.