Todo ano, mais ou menos nesta época, a ansiedade pela chegada oficial do verão atinge seu auge. Embora lá fora as temperaturas ainda estejam loucas e a chuva nem de longe se pareça com as águas de março – que agora aparecem sem avisar em maio! –, todo mundo fica frenético. Afinal, ainda faltam dois meses para a maciça exposição de corpos belos e nus. E tudo o que você fez nos últimos sete ou oito meses foi beber cerveja, dormir tarde e comer desenfreadamente, como se não houvesse amanhã.
Sim, faço parte dessa massa de pessoas. Das que se largam e das que correm atrás do prejuízo depois que percebem o exagero. Sim, pretendo buscar quase tudo o que estiver ao meu alcance para voltar ao normal e não mais fazer parte das estatísticas: as academias ganham 30% a mais de alunos entre outubro e março; 70% das pessoas admitem que tentam se cuidar nessa mesma época do ano, mas não conseguem.
Fico pasma com os sacrifícios que as pessoas fazem para aderir ao famigerado projeto verão 2007. Eu mesma, por exemplo, que sempre fui regrada, já estou pensando em voltar para a academia, que abandonei há uns dois meses. É triste se olhar no espelho e perceber que aquele corpinho bacana dos seus 20 anos não existe mais. Chega a dar vontade de chorar... Hoje, a malhação tem que ser mais pesada, refrigerante só no fim de semana, um dia de abuso e lá vai seu sacrifício de uma semana inteira. Uma tristeza só. Deve ser por isso que você esbarra numas pessoas que perdem a noção quando o assunto é ficar em forma. Elas preferem trocar um joelho lesionado ou uma coluna dolorida por algumas calorias a menos. Depois que a moda de correr ao ar livre pegou de vez, o que mais se vê são mulheres, na maioria tias, que não têm a menor condição de calçar um par de tênis, geralmente do tipo errado, e sair por aí. Caminhem para aproveitar a paisagem deslumbrante da Lagoa!
A relação que cada um cria com seu próprio corpo também é de se admirar. E não estou falando da relação que homens têm com os corpos de suas respectivas companhias, quando celulite, a não ser que seja um pote delas, é sempre quase imperceptível, e as estrias, o que são estrias?!? Uma amiga da minha mãe, quando eu era uma criança ainda, se orgulhava de não fazer ginástica nem dieta. Está certo que hoje tenho capacidade de dizer que eu também me orgulho disso. Ela dizia, com muita propriedade, que não tinha nascido para ser bonitona e gostosa. E, por isso, preferia gastar a grana da academia e dos tratamentos estéticos, arrumando a casa que tinha em Angra dos Reis. Quem sabe dos seus pontos fortes e fracos é outro departamento.
De qualquer forma, a situação está ficando negra e o tempo urge. Não tenho essa fissura de praia, não gosto de calor, mas é um estado de espírito esse tal de verão. Daqui a dois meses, volto para falar da avaliação geral...