Quem sai na noite com freqüência sempre se depara com tipos estranhos. Ou melhor, figuras que não deveriam estar ali. Tal observação, ao contrário do que possa parecer, não esbarra em preconceito algum. Primeiro porque não sou mais uma tolinha. E depois porque o conceito de diversão delas está, mesmo que momentaneamente, equivocado. Por pessoas descontextualizadas leia-se homens e mulheres que não pertencem àquele universo. Porque, basicamente, não estão mais na idade de se prestar a esse papel.
Digo isso porque volta e meia encontro a mãe recém-separada de um amigo em lugares onde a maioria dos presentes tem idade para ser filho dela.
- Mas ela está se divertindo! – costumam me dizer os que acham isso natural. – Ela não está ali para pegar ninguém...
Pois é. Como se o que me incomodasse fosse o fato de ela estar ali para pegar alguém. Ainda bem, não é mesmo? Porque acho, no mínimo estranho, que uma mulher de meia-idade possa (ou melhor, consiga) pegar um garotinho em meio à fumaça de uma pista de dança. Mesmo que seja por uma noite e nada mais. Mesmo que seja uma loucura desenfreada ou um encontro especial.
Antes de ser crucificada, também acho de extremo mau gosto os casais formados por um homem de meia-idade e uma universitária. Diferenças grandes de idade, de geração, de objetivos e afinidades tendem a me incomodar. Simplesmente por aquela máxima que ouvia em casa, e que sei que não morreu – em algumas outras casas de hoje em dia vejo os pais dizerem exatamente isso aos filhos adolescentes: tudo tem sua época. Um homem de meia-idade não pode se oferecer para realizar os sonhos – todos e sempre – de uma menina que tem a vida inteira pela frente. Se ele já foi casado duas vezes, talvez não queira tentar por uma terceira. E, por exemplo, todas as minhas amigas querem casar, até mesmo as que já moraram com os namorados. Se já tem quatro filhos, vai querer mais um (para não ter idade de curti-lo) exatamente para quê? Todas as mocinhas da minha idade querem ter filhos. Até mesmo quem diz, por altruísmo, que colocar uma criança nesse mundo cruel seria uma barbaridade... Desta forma, o para sempre ganha prazo de validade.
As pessoas, porém, têm todo o direito se serem felizes. E se a felicidade significa ir todo dia a boates, se divertir horrores, conviver com cantadas estúpidas e com o nível, geralmente baixo, que se encontra em locais como esses, então deve ser porque não adquiriram maturidade suficiente para reconhecer onde está a felicidade. No caso da mãe lá de cima, será mesmo que ela está se divertindo ou está só tentando se enganar? Ou pior: estaria tentando retomar o tempo perdido? Porque não há nada mais incoerente do que recuperar o tempo perdido se comportando como se esse tempo não tivesse passado.