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Antes só do que mal acompanhada | 30 de novembro de 2006

Segundo uma amiga preocupada em arrumar marido, a Veja desta semana deve ter vendido horrores. E, realmente, a chamada de capa é interessante e é até possível sentir alguma vontade de ler e descobrir a razão pela qual um punhado de mulheres bonitas, independentes, cultas, charmosas, maduras e com corpo em dia está sozinho. Se você, querido leitor, não teve a oportunidade de dar uma olhadinha nas bancas, a capa grita: As chances de casar. E, logo abaixo: “9 entre 10 brasileiras que passam dos 40 anos solteiras continuarão solteiras”; “Confira as chances de uma mulher se casar no Brasil aos 25, 30, 40 e 45 anos” e “As estatísticas explicam por que faltam homens solteiros compatíveis”.

Li. E, não sei se pode interessar, achei uma das coisas mais sensacionalistas dos últimos tempos – o que não é novidade em se tratando do veículo em questão. Para começar, colocam como previsão alarmante o seguinte resultado das contas de um Oswald de Souza qualquer: “Aos 30, elas têm 27,6% de chance de encontrar um marido. Parece pouco? Pois aos 35, a chance cai quase 10 pontos, e aos 40 despenca para meros 13,7%. Aos 45, a solteira tem apenas 10,1% de probabilidade de comparecer perante um juiz de paz”. Para começar, esqueceram de dizer que 100% nesta regrinha de três não existe. Como garantir que, aos 20 ou 25 anos, uma mulher vai encontrar um marido em potencial?

E mais. Como garantir que aos 20, 25, 40 ou 70 uma mulher vai encontrar um marido e viver com ele feliz para sempre? Aos 70 a coisa fica mais fácil, mas aos 20, tudo se complica verdadeiramente. Mas como a capa do divórcio já foi feita, restou falar das mulheres que não querem abrir mão do que conquistaram nesta vida dura para dividirem o teto com homens machistas, ciumentos e que não vão tolerar sequer que a esposa (palavra que em espanhol significa algema) ganhe um salário 10% maior que seja. Aqui, me perdoem, a grande maioria pensa assim. É o que temos.

Tem mais. Se eu, por exemplo, tenho pouco mais de 27,6% de encontrar um marido, dentro desse percentual, qual a chance de o marido escolhido ser carinhoso, honesto, trabalhador, gostoso, fiel, mão aberta, inteligente, bem-humorado e que ainda seja bom cozinheiro e goste de massagear seus pés, não necessariamente nesta ordem?!? De novo, quem garante a mim e à torcida do Flamengo que casamento é sinônimo de felicidade? O que está sendo questionado, no entanto, é somente o casamento. A troca de alianças, o sim, o vestido de noiva e o álbum de retratos. E ser feliz, ninguém quer...

O que realmente angustia e serve de alerta para quem quer “comparecer perante um juiz de paz” é ser exigente. Sem dúvida, as mulheres ficaram mais exigentes. E quem escolhe muito acaba sem nada. Ou melhor, fica sozinha sem querer estar sozinha. Porque aqui a pergunta que cabe é: antes mal acompanhada do que só? Nós ganhamos tanto quanto eles, bebemos tanto ou mais, viajamos, falamos mil línguas, sabemos nos defender e queremos nossa liberdade! A tendência é ficar esperando o príncipe encantado. E se o tempo passar demais, só restarão sapos. Esqueçamos os números e vamos correr. Afinal, se antes dos 30 já é difícil suportar certas coisinhas, imagina isso amadurecido pela idade e pela intimidade.

seta Nina Mansur

seta Comentários Enviados
Claudinha em 20 de dezembro de 2006

Adorei!

E o mais engraçado é que eu conheço uma pessoa louca para fazer parte das estatísticas. É tanta - como vou dizer? - pressa pra sei lá o que, que todos os namorados viram noivos. Parece que a vida só começa depois do altar, do novo sobrenome.

Eu amo a minha exigência e os meus pré-requisitos. Casar, pra mim, é uma conseqüência da vontade de acordar junto todo dia.


Kamille em 11 de dezembro de 2006

Sem contar que uma amiga que leu (eu não li) disse que eles só consideraram as pessoas casadas no civil. Ou seja: sensacionalismo mesmo, porque boa parte das pessoas hoje mora junto, não faz questão do papel!


LHA em 05 de dezembro de 2006

Merda, eu não sou gostoso!


Mila em 01 de dezembro de 2006

Adorei essa coluna!!!

e dane-se a veja!


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