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Democracia, relação: tooooodo um processo... | 10 de novembro de 2006

Se eu tivesse que definir o sexo da democracia – e não apenas pelo artigo feminino que acompanha o substantivo – ficaria coma imagem de uma bela mulher. Inteligente, cativante e acima de tudo complicadinha pacas. Não necessariamente o ideal, mas como sentenciou o Churchill (foi ele mesmo?)... democracia é isso. É o que temos.

Mas como eu ia dizendo, o que define não é mesmo o artigo. Eu justifico com a capacidade – ou mania, se você preferir – que a mulher tem de dialogar, conversar e/ou (toc, toc, toc) discutir a relação. Digo isso considerando as vezes em que a discussão pode ser chamada de monólogo também.

Mas é assim que se dá a união dos contrários na busca por uma convivência pacífica (por Alá, que coisa clichê). Eu no lugar da Nina e vice-versa, expondo os nossos pontos de vistas (que também atendem pelo nome de queixas) sobre os melindres da democracia nos relacionamentos amorosos. Mas com parcimônia, afinal, tudo de muito é demais.

Obviamente isso jamais funcionaria caso fôssemos amantes ou coisa que o valha (vocês acreditaram mesmo na desculpa do André e da Josy para o fim da coluna em comum?). Isto é, portanto, uma opinião de quem vê a coisa de fora, mesmo que falando de conflitos internos. Sacou?

Pois é. Se você não sacou, imagine nós, homens, diante de uma discussão hipérbole e histérica por motivos banais. Às vezes um simples corte de cabelo (ou melhor, o fato de não notarmos o que aconteceu de diferente na cabeça de vocês mulheres) que findou num caleidoscópio de toda a relação. Claro, com destaque para tudo de ruim que fizemos a vocês.

Eu até entendo essa necessidade congênita de deixar os fatos em pratos limpos (o que eu chamo de “mania de remoer a mesma coisa mil vezes”), mas convenhamos, o tempo passa, o tempo voa e as coisas deveriam permanecer numa boa caso não houvesse essa insistência de querer sempre desenterrar os mesmos defuntos.

Bater na mesma tecla, entenderam? Sim, nós somos uns desastres com as datas, nós somos o cúmulo da desorganização, nossas contas estão sempre atrasadas, os trabalhos idem, a casa consegue virar um chiqueiro de 0 a 100 km em cinco segundos. Mas é justamente para isso que precisamos de vocês.

Não, não falo de arrumar a casa e pagar as contas, mas de auxiliar o processo de otimização (ou customização, para ser hype) do nosso tempo, da nossa casa, do nosso rico dinheirinho. Mas como eu disse, é tooooooodo um processo. Coisa lenta, cuidadosa. Arrumar as coisas num estalo tiraria de nós as identidades. Já pensou o nó? É dada também a opção de afeiçoamento ao nosso trash way of life.

E já que estamos falando em diálogo, preciso tocar num assunto importante, para nós homens, claro. A única explicação que concebo para a capacidade que vocês mulheres têm de entender o que falamos exatamente pelo oposto do que queremos dizer, é a instalação de um “noise distorction filter”.

Vocês já pararam para pensar se as frases que vocês entendem como saídas de nossas bocas fazem algum sentido? É simples. Exercício de paciência eu sei, mas tentem, será de bom grado. Sim, porque na maioria das vezes o escândalo se inicia por algo que vocês entenderam – ou distorceram – livremente, sem o mínimo cuidado de checar direto com a fonte.

Sim, é claro que volta e meia a relação precisa ser discutida. Mas porque não pensar num organograma? Ainda mais vocês, as experts em organização. Datas e temas semanais. Ou meses. É que é complicado demais para nós, que não conseguimos sequer arrumar a cama, misturar em pouco mais de meia hora o seu ciúme da nossa amiga peituda com a necessidade de conseguir outro trabalho etc e tal.

Eu sei que a probabilidade de tudo que eu disse aqui ser completamente distorcido é altíssima, de qualquer forma, foi apenas uma tentativa de fazer através das minhas queixas, com que vocês entendam um paradoxo: que apesar de tanta democracia, o que a gente gosta mesmo é de uma bela ditadura de saias. Mas com calma, afinal, é tooooooooodo um processo...

Rodrigo Levino


seta Nina Mansur

seta Comentários Enviados
Mila em 13 de novembro de 2006

adorei a onda de colunas trocadas.
e os homens são todos iguais! hahaha
mas eu não gaço cama!


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