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Espírito de natal | 23 de novembro de 2006

Se o tempo continuar sem suas estribeiras, daqui a pouco estaremos montando árvores de natal na quarta-feira de cinzas, ainda de ressaca. E vai ser um pesadelo... Não gosto do espírito que toma conta das pessoas no fim do ano. E tenho uma tendência a achar que presente se dá a qualquer momento e não existe propósito mais forte para encontrar a família e os amigos do que as saudades. Saudades sinceras. Pensando bem, quem não sente essas saudades realmente precisa de algo superior, algo divino, algo dos céus. O natal, para esses, vem sempre bem a calhar...

E aí vem a razão do corre-corre, das vitrines entulhadas de coisas vermelhas e douradas e daquelas árvores ora obesas (há algo mais sem sentido do que neve artificial decorando galhos fininhos de ferro retorcido?) ora subnutridas, com cara de que, sei lá, o que estou fazendo aqui?!? Se você vai viajar, não consegue comprar um biquíni decente. E se ganhou, mas não serviu, só vai conseguir trocá-lo por um que realmente lhe caiba e que tenha a ver com você perto do carnaval. Onde será que esse povo que chora miséria o ano inteiro consegue tanto dinheiro? Será das abusadas caixinhas? Parêntesis: Acho que do mundo cristão que valoriza e estimula essa prática, sou a única alma que ainda não pendurou um saco vermelhão de veludo no pescoço...

Enxaquecas à parte, o natal é, provavelmente, o que me faz ter vontade de ter filhos, de procriar, de me reproduzir, de encher a casa de crianças pulando, brigando, aquela algazarra. Simplesmente porque acreditar em Papai Noel é uma das coisas mais mágicas desse mundo. E, para mim, descobrir que ele era uma mentira que toda a minha família me contava, por anos e anos e muitos anos seguidos, foi a primeira grande decepção que enfrentei.

Foi, sem dúvida, a mais dolorosa. Mal podia conter a empolgação com a chegada de Papai Noel. A imaginação voava, eu tentando imaginar como seria, já que, apesar de morar numa casa, não tínhamos chaminé. Quando voltávamos da ceia do dia 24, tirava o sapato na porta e já o deixava na soleira, tentando prever o que ELE me traria. E eram sempre coisas maravilhosas, e cada vez com a logística de entrega mais complicada. E as noites acordada, à espreita, esperando qualquer barulho na sala, será que ele está aí??? Caía sempre no sono, nunca pude flagrar ninguém ajeitando embrulhos embaixo da árvore. Ainda bem. Mas imagine o susto de encontrar um senhor roliço de barbas brancas enormes e bochechas rosadas?

Minhas duas sobrinhas já têm conhecimento dessa bela farsa desde os cinco anos. É triste. É triste para as crianças, que começam a perder a inocência muito cedo. E mais triste ainda para os pais, que não voltam a ser criança inventando desculpas esfarrapadas e se desdobrando para bolar caças ao tesouro, esconderijos secretos e presentes cada vez mais criativos. Isso sem contar aquela letrinha fofa, gorducha, escrevendo “querido Papai Noel” para explicar que tinha sido(a) um(a) bom(a) menino(a) durante aquele ano e pedindo alguma coisa mirabolante. Talvez, se descobrissem mais tarde, as crianças de hoje seriam mais comportadas. E felizes.

seta Nina Mansur

seta Comentários Enviados
Kamille em 27 de novembro de 2006

Ah! Eu adoro Natal. Quando era criança ia dormir já pensando em acordar e ganhar os presentes (bons tempos, normalmente era mais de um, embora sempre tivesse um que fosse especial). Sem falar nas comidas! Eu passava o Natal na casa do meu bisavô, tem noção? Era muito bom, a casa lotada de gente!


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