Pensando bem, o trânsito causado pela árvore de Natal da Lagoa até que serve para alguma coisa. Na volta para casa, durante a Hora do Brasil, na falta de algo melhor para fazer, o jeito é pensar. Ou desejar que as pessoas pudessem estar em casa em vez de se despencar para ver aquele monstrengo flutuante, em meio a churrasquinhos de gato e vendedores ambulantes de cerveja que passam com o carrinho de rolimã grotesco no seu calcanhar sem o menor pudor. Como sou uma pessoa menos rabugenta, estava preferindo perder este tempo listando as resoluções para 2007.
No ano passado, lógico, levantei uma série de possibilidades. Infelizmente, cheguei em dezembro sem lembrar nenhum item dessa listinha. Pelo menos, me alegra saber que não estou sozinha. Ninguém vai conseguir ver mais os amigos, ir mais à praia, economizar mais dinheiro (não busco ganhar mais, isso sim é impossível), beber menos, comer direito e se desfazer daqueles dois quilinhos que não pertencem àquele lugar. Muito menos a você. Já sei que para mim não vai dar antes mesmo de disparar o primeiro telefonema...
Resignada, resolvi num destes engarrafamentos tipo paulista em véspera de feriado que as resoluções para o próximo ano, pela primeira vez, vão se resumir a uma simples coisa: não fazer resoluções. Não vou desejar ser mais magra, fazer uma grande viagem, ajeitar a casa ou quaisquer dessas idéias de maluco que a gente sabe que nunca vão, de fato, sair do plano virtual.
É praticamente como seguir o ritual hermético de reveillon. Comer sete uvas, pular sete ondas, vestir branco, passar a meia-noite mentalizando algo ou alguém, não comer bicho que anda para trás. Ninguém ainda conseguiu provar que juntar essas simpatias e superstições num balaio vai garantir sucesso profissional, amoroso, social ou financeiro. No creo en las brujas, pero que las hay, las hay. Pois deixei de acreditar nelas e de tempos em tempos desafio as convenções para ver se algo de extraordinário vem a reboque. O pretinho básico está passado. Mas, por via das dúvidas, tem uma blusa branca e uma calcinha nova esperando...
Que o ano de 2007 seja continuísta para todos nós. Que possa seguir com calma e coerência as evoluções que começaram este ano.
Também vamos precisar de muita paciência e vista grossa para agüentar os novos-velhos governos que estão chegando por aí.
Tintim!