Quando tinha 18, 20 anos, qualquer dia era dia de sair. Segunda? Tô dentro! Terça e de ressaca? Pode confirmar. Sábado era para ficar em casa e dormir bem, porque a noite era fraca, todo mundo saía, os bons iam a um cineminha e só. Engraçado como a vida da gente vai mudando. Oquei, estamos todos velhos e cansados ou maduros e apaixonados – parafraseando colegas de coluna? Ou as duas coisas? O que é muito pior...
O tempo é generoso com alguns felizardos e inexorável para a grande maioria. A beleza interior aumenta vistosamente, mas a exterior, meu deus, desce a ladeira. A área dos olhos não é mais tão lisinha. De uns anos para cá, apareceu, do nada, uma dobra safada no meu antebraço, que não sai de jeito nenhum. Talvez se passar a ferro a pele estique. Isso para não falar de outras partes escondidas sob as roupas. Melhor mesmo que só eu presencie essa decadência.
Além de perder a elasticidade e a disposição, a passagem do tempo acaba com sua capacidade de ser um bom e contumaz bebedor. Pode ser que seja a pior e mais cruel das deficiências trazidas pelo peso dos anos. Hoje em dia, encher a cara uma vez por semana é o máximo que posso me permitir. Um dia de ressaca por semana, nada além disso. Meu corpo está demorando demais para se recompor de uma noitada – claro que o conceito de noitada também muda. Quinta é uma extravagância e 3h é o horário-limite para estar em casa. De táxi, de preferência. Se excedo, não sobra tempo para tirar a maquiagem e tomar banho. Sim, tem mais rituais que não só ir tirando calça, blusa e tênis pelo caminho para desabar na cama; não existe a possibilidade de colocar os pés para fora sem um tantinho de cosméticos para disfarçar as olheiras.
Às vezes me imagino como será em sete, dez anos. Nesta velocidade, em breve paro de beber porque não vai haver tempo para tudo. Ou corpo para agüentar.
Afe Nina... Faz isso não, to prestes a procurar minha terapeuta depois dessa reflexão! Hehehe.
Xeru.