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Ilha da Fantasia | 16 de fevereiro de 2007

Existe um lugar onde só brilha o sol (se chove, nem se nota), faz calor, tem água fresca. Tem também gente como a gente: beldades em profusão, biquínis recheados por corpos lindos, de dar inveja. Tem música ambiente até no banheiro (e com toalhas felpudas!, nada de papel-toalha), comida da melhor qualidade, dos melhores chefs de cozinha do eixo Rio-São Paulo, cerveja gelada à vontade. Nada mal para ficar a ver navios, olhando as nuvens se formarem aos poucos (a chuva lá tem hora marcada para chegar e sair) e seguirem seu rumo.

Este é um Éden da Costa Verde, onde todo mundo é tratado como se fosse latifundiário do pedaço de terra que, além de majestoso, é excessivamente caro. Não, não paguei um tostão para desfrutar da vista deslumbrante, dos detalhes mínimos que impressionam, da atmosfera onde vivem os ricos. De vez em quando, é bom sair um pouco do mundinho surrado, de escravo e aproveitar as coisas que nem trabalhando durante 180 anos com afinco conseguiria...

Pois bem. Esta mágica fica logo ali depois de Angra dos Reis e uma traineira bucólica vai deslizando sobre as águas como se o tempo fosse mera convenção. Ao chegar, sorrisos excessivos dão as boas vindas, aproveitam para fazer as devidas apresentações, de tão quentes te fazem sentir confortável, importante, indispensável. Para onde olha, uma fila de cabeças a cumprimentar amavelmente, o branco das dentaduras chega a ofuscar. O português perfeito contrasta, às vezes, com as atrocidades que se vêem e se escutam aqui no mundo-cão. Ô, vidinha complicada essa de ficar corrigindo quem erra e se interessando por quem tem tesão, como você, pela língua, pelos signos, pelos símbolos.

Todos seguram a porta ao passar e obrigado é a palavra que mais se ouve, seguido de por favor e de nada. Lá, tudo referente a um dos convidados é prioridade do dia. Haja educação, haja cordialidade, haja saco!

Um pouco de ficção para espantar o marasmo social em que nossa cidade está vivendo. Parece que só nos resta assistir a isso tudo como um filme, no mínimo, de péssimo gosto, conduzido por um diretor de quinta categoria, estúpido a ponto de acreditar que barbaridades convencem, barbaridades atam as nossas mãos e deixam os jornais (e meios de comunicação) sensacionalistas (ao invés de prover todo mundo com informação, e não especulação). Um pouco de ficção, um pouco de um lugar mais ou menos irreal, onde as aparências importam mais do que o conteúdo. Nesta semana, desculpem, só assim.

seta Nina Mansur

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