Hoje, comemora-se no mundo inteiro o Dia Internacional da Mulher. Dia em que todos deveriam parar para refletir sobre a condição das mulheres na sociedade. A idéia, na data de sua criação, era realizar um dia de luta, no qual as mulheres, especialmente as da classe operária, pudessem fazer reivindicações trabalhistas e brigar por seus direitos políticos. Ouvir as razões desta efeméride, hoje, é praticamente uma piada. A impressão que tenho é que as mulheres estão em maior número; elas dominam o mercado de trabalho que requer algum estudo – já que estão em maior número nas escolas e nas universidades; onde trabalho, por exemplo, estamos em maioria mais que absoluta, em diferentes cargos, sendo alguns de chefia. Podemos não estar em maior número no Congresso, nas assembléias legislativas, na câmara de vereadores, mas com certeza somos as responsáveis por eleger os piores espécimes humanos para nos orientar e lutar por nossos direitos – é uma pena o voto ser obrigatório.
Mas, em 1910, quando a implementação de um dia pela causa feminina foi sugerida durante o 2º Congresso Internacional de Mulheres Socialistas, pela feminista (socialista) alemã Clara Zetkin, o mundo era outro. As mulheres eram majoritariamente operárias, algumas nem sabiam ler e o sufrágio universal ainda estava engatinhando em muitos países ditos evoluídos. Ainda viriam a revolução russa e as guerras mundiais... A escolha do dia 8 de março teve a ver com um episódio ocorrido em 1857, em Nova York, quando 129 tecelãs foram mortas carbonizadas dentro da fábrica em que trabalhavam porque organizaram uma greve contra a longa jornada a que estavam submetidas. Os parâmetros mudaram tanto que, nos últimos anos, ser queimado vivo é algo que vemos com certa freqüência por aqui, lógico que por outras razões.
Acredito e concordo que as mulheres ainda sofrem preconceito nas sociedades. Mas se pensarmos que a presença feminina só foi introduzida de fato e posta à discussão há menos de 100 anos, é absolutamente natural que não estejamos compatíveis com a participação masculina no mercado de trabalho e na política. Afinal, sair de casa para caçar, beber e falar sobre futebol e mulher é coisa que eles estão acostumados a fazer desde a Idade da Pedra.
Os progressos vêm. Basta notar que já tem homem-doméstico, que fica em casa e cuida dos filhos e do lar enquanto a mulher vai ganhar a vida e traz o sustento da família; já tem homem disposto a tomar anticoncepcional, se existisse uma pílula, injeção ou esparadrapo eficaz; já tem até uma divisão justa nas tarefas do lar – eles não estão mais nem se importando em lavar o banheiro! O tipo que tenho em casa, oquei, não é muito afeito a isso, mas tenho que comemorar a evolução e os esforços para que um dia ninguém fique sobrecarregado de coisas chatas que não engrandecem ninguém.
Portanto, ou criamos um Dia Internacional do Homem, para que eles também tenham a chance de refletir sobre suas ladainhas, ou acabamos com esse “nosso” dia, que nos transforma, forçosamente, em minoria, coisa que, decerto, não somos mais.
MaRciana esteve aqui. Chegou navegando à toa, leu e gostou do que leu.
E voltará muitas vezes!
:-)
Oh! Ninoca é mesmo meu orgulho! Sensata demais, lúcida e como sempre com um belo texto.