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Sexta-feira 13 disfarçada | 12 de abril de 2007

Se fosse supersticiosa, diria que a proximidade da sexta-feira 13 mexe com os astros, confunde os comportamentos das pessoas e faz com que, mais uma vez, repita como uma mantra: “Não deveria ter saído da cama hoje”. De fato, sair da cama foi a coisa mais fácil do dia. Posso me gabar de uma característica nata, que é não precisar de despertador para acordar. Parece, exceto quando a função terminou tarde e alcoolizada na noite anterior, que meu organismo é um reloginho. Mas não, não sou supersticiosa...

No caminho para uma aula, que começa às 8h, fiz uma grande imprudência no trânsito, desviando súbita e irresponsavelmente de um molenga (e doente!) que parou num sinal verde. Passei o resto do caminho pensando que poderia ter causado um acidente feio, que poderia ter me machucado (aos outros também), que minha mãe está em São Paulo e que meu namorado só acorda depois de meio-dia... Oquei, não sou tão politicamente correta assim.

Na aula, descobri que na semana que vem vai rolar uma prova. Metade da nota virá dos trabalhos que foram entregues desde o início do curso. Não fiz unzinho para contar história – fim de semana sacrificado por cinco papers. Primeiro mau sinal de verdade.
Antes do almoço, tomei cano de duas pessoas com quem precisava muito falar. O prazo é hoje à noite. Uma delas, deus queira, vai entrar em contato até o fim do dia; a outra levou uma bela chamada quando argumentei que tinha ficado chateada pela ignorada que tomei. Por telefone e por e-mail. É o fim da picada.

No fim de semana, li um artigo em algum lugar que falava sobre a palavra vergonha, que a nova geração, de gente nascida nos anos 80, não conhece. De fato, tenho dúvidas se as pessoas em geral, nascidas antes disso, até, conhecem o significado do termo e do que ele representa. À tarde, passei 50 minutos numa fila, ouvindo os lamentos do atendimento lamentável do Banco do Brasil. Nunca vi gente tão lenta, tão despreparada. Tenho uma tendência assassina a pensar que fazem de propósito. “É, vamos sacanear esse bando de ferrados, que vem aqui pra pagar taxas ridículas de R$ 4 e gastam o horário de almoço aqui, neste calor, sem comer”. Não têm vergonha?!?

Infelizmente, depois de perder tempo nesta espelunca que chamam de banco, tive de ir a outra espelunca, a Sendas. Acho que as caixas e atendentes do mercado, antes do horário de serviço, recebem choques elétricos nas partes íntimas, para exercerem toda a sua simpatia com o consumidor. Justo quem, indiretamente, paga o salário. Bizarro. Aliás, além de ter tendências assassinas, devo ser masoquista. Sempre me irrito na Sendas e, no entanto, continuo indo lá.

Tudo está errado ou sou só eu que gosto de ser tratada com educação e cordialidade, que mantenho as combinações, que honro a palavra?
Hoje, eu odeio tudo! Mas quando a gente pensa que vai melhorar, aí é que o fundo do poço desce um pouquinho mais. E não ganhei um ovo de páscoa para ajudar a recompensar.

seta Nina Mansur

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