<?xml version="1.0" encoding="iso-8859-1"?>
<rss version="2.0">
<channel>
<title>Coluna: Subindo na Vida</title>
<link>http://www.matrizonline.com.br/portal/colunas/subindonavida/</link>
<description></description>
<copyright>Copyright 2007</copyright>
<lastBuildDate>Thu, 12 Apr 2007 17:58:58 -0300</lastBuildDate>
<generator>http://www.movabletype.org/?v=3.15</generator>
<docs>http://blogs.law.harvard.edu/tech/rss</docs> 

<item>
<title>Sexta-feira 13 disfarçada</title>
<description></description>
<link>http://www.matrizonline.com.br/portal/colunas/subindonavida/arquivos/2007/04/sextafeira_13_d.php</link>
<guid>http://www.matrizonline.com.br/portal/colunas/subindonavida/arquivos/2007/04/sextafeira_13_d.php</guid>
<category></category>
<pubDate>Thu, 12 Apr 2007 17:58:58 -0300</pubDate>
</item>
<item>
<title>Descobertas</title>
<description><![CDATA[<p>Laboratório de Química, nem sei se ainda existe, era um jogo que vivia nas minhas listas de presentes de aniversário, natal etc. Quer dizer, não sei se realmente chegava a pedi-lo – e se realmente era um jogo –, mas fazer experimentos, como os supervisionados no colégio por um professor estilo maluquinho, povoava meu imaginário. Recentemente, descobri uma diversão parecida, só que de adulto: cozinhar.</p>

<p>Nunca fui afeita a isso e, sinceramente, nunca despertou meu interesse. Sempre achei mais interessante comer. E fora que meter a mão na massa, depois me dei conta, dá um trabalho absurdo. E, claro, um grande prazer, em vários sentidos, que pode compensar.<br />
A aventura de se lançar em campo começa numa ida ao mercado, em busca de ingredientes. Antes disso, o trabalho começa com o desejo. O que desejo hoje? O que gostaria de ver se transformando em algo apetitoso, cheiroso, gostoso? Passado este estágio difícil, é mãos à obra mesmo. </p>

<p>Quando o desejo aponta para o peixe, haja saco para ficar esperando o peixeiro tirar escamas, por exemplo. Mas como não gosto de levar para casa animais inteiros e mortos poucas horas antes, fico com o filé, rosado, texturizado, pulsante. Ou ainda com lulas, que demoram séculos para serem limpas – e soltam aquela tinta, que me faz viajar em frente ao balcão gelado. Ou ainda polvos, graúdos e suculentos, desde que tenham muitas ventosas e tentáculos intactos.   </p>

<p>E estamos apenas no início do processo. Em casa, separo as folhas, deixo de molho com vinagre, ligo o forno para assar tomates, tiro temperos, especiarias, o grande azeite extra-virgem do armário. E, quando percebo, já se foram duas horas, duas horas e meia. E ainda vou calculando quanto tempo falta para um prato ficar pronto, para a pele do tomate descolar, para o refogado chegar no ponto, o suflê atingir o ponto, crocante por fora, desmanchando por dentro. Além de químicas, essas reações são matemáticas do tempo.</p>

<p>O laboratório de química aparece quando, como se fosse uma criança de oito anos, imagino a pimenta dando gosto à carne, vejo o açafrão tingir tudo em volta de amarelo, me espanto com a clara em neve, que dobra de tamanho em minutos... O brilho nos olhos é o da descoberta – ou ainda o da vitória, ao ver que aquela mistura, aquele concentrado de ingredientes de diversos tipos tomou forma, ganhou cor e se tornou algo comestível e saboroso. Impressionar alguém, muito mais do que alimentar, é também uma sensação bacana.</p>

<p>Se der errado, como o feijãozinho do chumaço de algodão que nunca vai adiante, o jeito é partir para outra, sem decepções. E, quem sabe, refazer o processo à exaustão, como se dali fosse surgir o próximo Nobel da Química.<br />
</p>]]></description>
<link>http://www.matrizonline.com.br/portal/colunas/subindonavida/arquivos/2007/03/descobertas.php</link>
<guid>http://www.matrizonline.com.br/portal/colunas/subindonavida/arquivos/2007/03/descobertas.php</guid>
<category></category>
<pubDate>Tue, 27 Mar 2007 16:36:29 -0300</pubDate>
</item>
<item>
<title>Um dia para uma ex-minoria</title>
<description><![CDATA[<p>Hoje, comemora-se no mundo inteiro o Dia Internacional da Mulher. Dia em que todos deveriam parar para refletir sobre a condição das mulheres na sociedade. A idéia, na data de sua criação, era realizar um dia de luta, no qual as mulheres, especialmente as da classe operária, pudessem fazer reivindicações trabalhistas e brigar por seus direitos políticos. Ouvir as razões desta efeméride, hoje, é praticamente uma piada. A impressão que tenho é que as mulheres estão em maior número; elas dominam o mercado de trabalho que requer algum estudo – já que estão em maior número nas escolas e nas universidades; onde trabalho, por exemplo, estamos em maioria mais que absoluta, em diferentes cargos, sendo alguns de chefia. Podemos não estar em maior número no Congresso, nas assembléias legislativas, na câmara de vereadores, mas com certeza somos as responsáveis por eleger os piores espécimes humanos para nos orientar e lutar por nossos direitos – é uma pena o voto ser obrigatório.</p>

<p>Mas, em 1910, quando a implementação de um dia pela causa feminina foi sugerida durante o 2º Congresso Internacional de Mulheres Socialistas, pela feminista (socialista) alemã Clara Zetkin, o mundo era outro. As mulheres eram majoritariamente operárias, algumas nem sabiam ler e o sufrágio universal ainda estava engatinhando em muitos países ditos evoluídos. Ainda viriam a revolução russa e as guerras mundiais... A escolha do dia 8 de março teve a ver com um episódio ocorrido em 1857, em Nova York, quando 129 tecelãs foram mortas carbonizadas dentro da fábrica em que trabalhavam porque organizaram uma greve contra a longa jornada a que estavam submetidas. Os parâmetros mudaram tanto que, nos últimos anos, ser queimado vivo é algo que vemos com certa freqüência por aqui, lógico que por outras razões.</p>

<p>Acredito e concordo que as mulheres ainda sofrem preconceito nas sociedades. Mas se pensarmos que a presença feminina só foi introduzida de fato e posta à discussão há menos de 100 anos, é absolutamente natural que não estejamos compatíveis com a participação masculina no mercado de trabalho e na política. Afinal, sair de casa para caçar, beber e falar sobre futebol e mulher é coisa que eles estão acostumados a fazer desde a Idade da Pedra. </p>

<p>Os progressos vêm. Basta notar que já tem homem-doméstico, que fica em casa e cuida dos filhos e do lar enquanto a mulher vai ganhar a vida e traz o sustento da família; já tem homem disposto a tomar anticoncepcional, se existisse uma pílula, injeção ou esparadrapo eficaz; já tem até uma divisão justa nas tarefas do lar – eles não estão mais nem se importando em lavar o banheiro! O tipo que tenho em casa, oquei, não é muito afeito a isso, mas tenho que comemorar a evolução e os esforços para que um dia ninguém fique sobrecarregado de coisas chatas que não engrandecem ninguém. <br />
  <br />
Portanto, ou criamos um Dia Internacional do Homem, para que eles também tenham a chance de refletir sobre suas ladainhas, ou acabamos com esse “nosso” dia, que nos transforma, forçosamente, em minoria, coisa que, decerto, não somos mais.  </p>]]></description>
<link>http://www.matrizonline.com.br/portal/colunas/subindonavida/arquivos/2007/03/um_dia_para_uma.php</link>
<guid>http://www.matrizonline.com.br/portal/colunas/subindonavida/arquivos/2007/03/um_dia_para_uma.php</guid>
<category></category>
<pubDate>Thu, 08 Mar 2007 11:06:25 -0300</pubDate>
</item>
<item>
<title>Viemos dos portugueses. E pronto</title>
<description><![CDATA[<p>Memória afetiva é o que senti ao desembarcar em Portugal, há coisa de duas semanas. Nunca havia estado lá e fui munida de muitas dicas e alguns alertas. Sabia que era um povo literal demais, havia ouvido que eram toscos e que, com a entrada na Comunidade Européia, tinham dado um grande salto no caminho da modernidade. Mas o que, de fato, seria esse salto? Como entrar de cabeça na modernidade? É uma outra dimensão que se abre e estão lá nossos antepassados a saltar naquele escuro?</p>

<p>De uma forma ou de outra, mesmo sem os conhecer, me reconheci ali. Seja no salto, seja na cordialidade quase ultrapassada e na necessidade de ser manter distância. Nada de intimidades que não existem. Mas olhar aquilo tudo, se ver em muitas coisas e perceber inúmeras heranças é uma sensação bem reconfortante. </p>

<p>Em última análise, não podemos negar que não viemos dos portugueses, seria tanta heresia quanto afirmar – olhando para eles – que os homens não vieram dos macacos. Embora esta travessia tenha sido feita há séculos, a essência é a mesma. </p>

<p>Para começar, e talvez seja o ponto crucial do legado, os portugueses têm grande desapego à memória, o que parece ser um paradoxo deste meu comentário. Eles se desprendem com tanta facilidade da sua história que fazem como nós: botam abaixo o que não serve naquele momento para reconstruir algo que possa ser mais útil. Aí entendi o motivo pela qual a Avenida Rio Branco não se parece com a Rue de Rivoli, por exemplo. Afinal, qual seria a razão de se manter tanta quinquilharia? Por que ter um prédio rebuscado, difícil de limpar e com poucos inquilinos se é possível empilhar famílias com cozinhas minúsculas em cima de carros populares?</p>

<p>O tratamento dispensado aos velhos lusitanos (perdão, devo dizer a terceira idade) também pode se enquadrar nessa necessidade de se desfazer das peças de museu para viver única e exclusivamente no presente. Com a entrada na CE, muitos benefícios foram cortados e aqueles simpáticos senhores rechonchudos, baixinhos e bonachões (e seu respectivo feminino, com o upgrade do dom do fogão) agora passam pelos orelhões a ver se alguma moeda, por acaso, resta despercebida no recipiente do troco. O tratamento dentário deve ter sido dispensado há tempos; os idosos têm dentes tão ruins e esburacados como os do pessoal do Leste Europeu, que só recentemente começou a ter acesso decente aos consultórios dos dentistas.</p>

<p>Apesar do descaso de alguns – onde não tem descaso e desleixo nesse mundo? –, o que se vê é uma vontade imensa de fazer você se sentir em casa, como se alguns séculos, um oceano e três horas de fuso-horário não fizessem a menor diferença. E a começar pela comida e pela bebida, eles estão bem e no caminho certo.<br />
</p>]]></description>
<link>http://www.matrizonline.com.br/portal/colunas/subindonavida/arquivos/2007/03/viemos_dos_port.php</link>
<guid>http://www.matrizonline.com.br/portal/colunas/subindonavida/arquivos/2007/03/viemos_dos_port.php</guid>
<category></category>
<pubDate>Thu, 01 Mar 2007 17:02:05 -0300</pubDate>
</item>
<item>
<title>Ilha da Fantasia</title>
<description><![CDATA[<p>Existe um lugar onde só brilha o sol (se chove, nem se nota), faz calor, tem água fresca. Tem também gente como a gente: beldades em profusão, biquínis recheados por corpos lindos, de dar inveja. Tem música ambiente até no banheiro (e com toalhas felpudas!, nada de papel-toalha), comida da melhor qualidade, dos melhores chefs de cozinha do eixo Rio-São Paulo, cerveja gelada à vontade. Nada mal para ficar a ver navios, olhando as nuvens se formarem aos poucos (a chuva lá tem hora marcada para chegar e sair) e seguirem seu rumo.</p>

<p>Este é um Éden da Costa Verde, onde todo mundo é tratado como se fosse latifundiário do pedaço de terra que, além de majestoso, é excessivamente caro. Não, não paguei um tostão para desfrutar da vista deslumbrante, dos detalhes mínimos que impressionam, da atmosfera onde vivem os ricos. De vez em quando, é bom sair um pouco do mundinho surrado, de escravo e aproveitar as coisas que nem trabalhando durante 180 anos com afinco conseguiria...</p>

<p>Pois bem. Esta mágica fica logo ali depois de Angra dos Reis e uma traineira bucólica vai deslizando sobre as águas como se o tempo fosse mera convenção. Ao chegar, sorrisos excessivos dão as boas vindas, aproveitam para fazer as devidas apresentações, de tão quentes te fazem sentir confortável, importante, indispensável. Para onde olha, uma fila de cabeças a cumprimentar amavelmente, o branco das dentaduras chega a ofuscar. O português perfeito contrasta, às vezes, com as atrocidades que se vêem e se escutam aqui no mundo-cão. Ô, vidinha complicada essa de ficar corrigindo quem erra e se interessando por quem tem tesão, como você, pela língua, pelos signos, pelos símbolos.</p>

<p>Todos seguram a porta ao passar e obrigado é a palavra que mais se ouve, seguido de por favor e de nada. Lá, tudo referente a um dos convidados é prioridade do dia. Haja educação, haja cordialidade, haja saco!  </p>

<p>Um pouco de ficção para espantar o marasmo social em que nossa cidade está vivendo. Parece que só nos resta assistir a isso tudo como um filme, no mínimo, de péssimo gosto, conduzido por um diretor de quinta categoria, estúpido a ponto de acreditar que barbaridades convencem, barbaridades atam as nossas mãos e deixam os jornais (e meios de comunicação) sensacionalistas (ao invés de prover todo mundo com informação, e não especulação). Um pouco de ficção, um pouco de um lugar mais ou menos irreal, onde as aparências importam mais do que o conteúdo. Nesta semana, desculpem, só assim. <br />
</p>]]></description>
<link>http://www.matrizonline.com.br/portal/colunas/subindonavida/arquivos/2007/02/ilha_da_fantasi.php</link>
<guid>http://www.matrizonline.com.br/portal/colunas/subindonavida/arquivos/2007/02/ilha_da_fantasi.php</guid>
<category></category>
<pubDate>Fri, 16 Feb 2007 16:56:29 -0300</pubDate>
</item>
<item>
<title>Dormindo com o inimigo</title>
<description></description>
<link>http://www.matrizonline.com.br/portal/colunas/subindonavida/arquivos/2007/02/dormindo_com_o.php</link>
<guid>http://www.matrizonline.com.br/portal/colunas/subindonavida/arquivos/2007/02/dormindo_com_o.php</guid>
<category></category>
<pubDate>Fri, 09 Feb 2007 15:40:52 -0300</pubDate>
</item>
<item>
<title>A doença do início do milênio</title>
<description><![CDATA[<p>Não consegui descobrir ainda o que faz uma pessoa puxar papo com a outra no meio de uma livraria, dentro de um centro cultural, no início da noite de uma terça-feira rançosa do verão carioca. Quer dizer, no fundo, entendo perfeitamente, mas é interessante como ainda não posso garantir que se tratou de cara de pau mesmo (será que existem pessoas que se despencam até centros culturais para se enturmar com estranhos?! É alto padrão de qualidade demais para essa juventude de hoje...) ou de carência. </p>

<p>A cena só ilustra de forma boba e talvez ingênua uma seqüência bem repetitiva do dia-a-dia de uma pessoa comum nos últimos tempos. Como eu, como você. E que demonstra que todos, à parte o fato de eu ser inocente de carteirinha, se tornaram mais carentes de uns anos para cá. Tão carentes que podem dar sustos, como o que uma pessoa abordada no meio do ambiente bucólico de uma livraria toma. </p>

<p>Não dá para creditar à Internet, ao msn, ao celular, ao computador totalmente, mas a culpa pode ser, em parte, da tecnologia maciça que aproxima e afasta as pessoas, num paradoxo curioso e já bastante discutido. Reparou como você se torna muitas vezes íntimo de uma pessoa que sequer viu na sua frente, com quem troca enfurecidos e-mails sobre sua intimidade, seus planos, seus problemas conjugais? Por que não sair com um amigo de tanto tempo para pedir conselhos, desabafar e esquecer a ressaca moral virtual do dia seguinte? O pior é se o encontro pessoal faz a relação perder a graça e rola uma ponta de arrependimento por cambiar idéias originais por pensamentos comuns – afinal, existe um tempo maior para a lapidação entre pensar e digitar e pensar e abrir a boca.  </p>

<p>Desacreditadas em si mesmas, as pessoas seguem uma tendência de compreender as coisas como desejam. Bastam uma vírgula poética mal compreendida ou uma simpatia exagerada para a coisa tomar outra proporção. Da mesma forma, tomamos a compreensão descontextualizada como verdade absoluta. E vai tirar isso da cabeça de uma pessoa descrente, com um quê deprimido e pessimista e que, ainda por cima, vive no seu “own private Idaho”... </p>

<p>A verdade é que é fácil apostar numa relação (inclusive e, talvez, principalmente de amizade) em frente a uma tela, que pode ser colocada de lado quando o telefone toca, alguém chama, a sede aperta. É moleza levar algo assim, em que a doação se dá quando não há nada mais o que resolver, o comprometimento é necessário quando todo o estresse passou, a cabeça esfriou. Mas que tipo de combinação, de acordo, de pacto é este, que nenhuma das partes está efetivamente ali, empenhada em fazer o seu?!? Pode ser que a carência também esteja aí. Atirando para todos os lados, a chance de um monitorzinho aceso na hora certa existe. E depois? <br />
</p>]]></description>
<link>http://www.matrizonline.com.br/portal/colunas/subindonavida/arquivos/2007/01/a_doenca_do_ini.php</link>
<guid>http://www.matrizonline.com.br/portal/colunas/subindonavida/arquivos/2007/01/a_doenca_do_ini.php</guid>
<category></category>
<pubDate>Thu, 25 Jan 2007 16:38:03 -0300</pubDate>
</item>
<item>
<title>Começar de novo</title>
<description><![CDATA[<p>Pode chamar de crise, de falta de inspiração, de cansaço mental. Mas a verdade é que encarar o começo do ano com as esperanças renovadas tem sido cada vez mais difícil. A rotina de passar a limpo a agenda e esvaziar a caixa de e-mails com mensagens antigas é uma chatice. Fora perceber que se está ficando velho de verdade, porque no ano passado não foi assim, tinha mais disposição para essas tarefas que tomam um tempão etc, etc, etc. </p>

<p>Só que 2007 deu as caras para mim de uma maneira terrível, que tira toda a sua disposição de recomeçar. Acho que para todos os cariocas preocupados em valorizar a cidade, o ano pintou desta forma. Foi com muita revolta que acompanhei e discuti os ataques terroristas dos últimos dias de dezembro. Desculpem, mas só a palavra terror descreve a ação de um miserável que resolve, por exemplo, colocar fogo em um ônibus cheio de gente que nada tem a ver com aquilo, que deu o azar de estar no lugar errado na hora errada.</p>

<p>Mas sabe o que é pior? Infelizmente, nesse quesito, nenhum dos cariocas apaixonados pela cidade e com certo senso crítico pode apitar. Quer dizer, até poderia (escolhendo os representantes certos), mas o desgoverno já vem de tão longa, blá-blá-blá, que agora não dá mais para voltar atrás. Não vou parar para essa discussão agora, mas o que tem me desanimado é que culpar os políticos sujos, incompetentes, ladrões e despreparados é, também, uma forma de tirar o corpo fora no caos da cidade. O carioca tem sua parcela de culpa pelo lixo em que estamos vivendo.</p>

<p>Nem lembro mais a última vez que vi um carro respeitando um sinal de trânsito ou que atravessei a rua sem olhar para os dois lados, mesmo que a preferencial fosse minha, do pedestre. Num sinal ali na lagoa, em frente ao Clube Piraquê, já presenciei dois atropelamentos e soube de outros dois, praticados por motociclistas homicidas (e suicidas), que andam ziguezagueando entre os carros numa nervosia sem precedentes. Está com pressa, sai mais cedo! Aliás, essa falta de pontualidade é outra coisa que me tira do sério...</p>

<p>A já-foi-tarde árvore de Natal da lagoa está sendo desmontada, mas o que se vê ali na região, após o último fim de semana de espetáculo, é quase como andar no meio do aterro de Gramacho: lixo por toda parte, inclusive no espelho d’água. Saco de pipoca, sacos plásticos, latas de bebida, garrafas de vidro, copos, papéis, papelão. Lixo, porcaria, entulho deixado por uma multidão sem educação e sem noções de civilidade. Isso sem falar no urinódromo em que transformam os lugares por onde passam. Será que em casa essas pessoas se comportam assim? Será que elas urinam nos muros de seus condomínios, no portão dos vizinhos, nas suas áreas de serviço? </p>

<p>Tirando o problema do trânsito e da sujeira, na minha opinião, falta de exemplo e impunidade, e o espaço público?!? O que faz um desqualificado sair cobrando no mínimo R$ 5 – e adiantados! – por vagas? O que dá direito a um infeliz desses me cobrar por algo que já está pago (com dificuldade) no pacote ridículo de impostos que cumpro todo ano, todo mês, toda semana, todo dia? Os cariocas idiotas (como eu) é que continuam ali, abaixando a cabeça para quem faz merda e se acha no direito de reclamar, com medo de peitar e tomar um tiro na cabeça. </p>

<p>E enquanto isso, enquanto tenho medo de apanhar na rua, todo mundo continua achando isso aqui lindo. E continua andando na contramão, dando propina para policial, jogando lata de refrigerante e papel de bala pela janela do ônibus, tudo muito natural...<br />
</p>]]></description>
<link>http://www.matrizonline.com.br/portal/colunas/subindonavida/arquivos/2007/01/comecar_de_novo.php</link>
<guid>http://www.matrizonline.com.br/portal/colunas/subindonavida/arquivos/2007/01/comecar_de_novo.php</guid>
<category></category>
<pubDate>Mon, 08 Jan 2007 13:19:26 -0300</pubDate>
</item>
<item>
<title>Resoluções e simpatias</title>
<description><![CDATA[<p>Pensando bem, o trânsito causado pela árvore de Natal da Lagoa até que serve para alguma coisa. Na volta para casa, durante a Hora do Brasil, na falta de algo melhor para fazer, o jeito é pensar. Ou desejar que as pessoas pudessem estar em casa em vez de se despencar para ver aquele monstrengo flutuante, em meio a churrasquinhos de gato e vendedores ambulantes de cerveja que passam com o carrinho de rolimã grotesco no seu calcanhar sem o menor pudor. Como sou uma pessoa menos rabugenta, estava preferindo perder este tempo listando as resoluções para 2007.</p>

<p>No ano passado, lógico, levantei uma série de possibilidades. Infelizmente, cheguei em dezembro sem lembrar nenhum item dessa listinha. Pelo menos, me alegra saber que não estou sozinha. Ninguém vai conseguir ver mais os amigos, ir mais à praia, economizar mais dinheiro (não busco ganhar mais, isso sim é impossível), beber menos, comer direito e se desfazer daqueles dois quilinhos que não pertencem àquele lugar. Muito menos a você. Já sei que para mim não vai dar antes mesmo de disparar o primeiro telefonema... </p>

<p>Resignada, resolvi num destes engarrafamentos tipo paulista em véspera de feriado que as resoluções para o próximo ano, pela primeira vez, vão se resumir a uma simples coisa: não fazer resoluções. Não vou desejar ser mais magra, fazer uma grande viagem, ajeitar a casa ou quaisquer dessas idéias de maluco que a gente sabe que nunca vão, de fato, sair do plano virtual.</p>

<p>É praticamente como seguir o ritual hermético de reveillon. Comer sete uvas, pular sete ondas, vestir branco, passar a meia-noite mentalizando algo ou alguém, não comer bicho que anda para trás. Ninguém ainda conseguiu provar que juntar essas simpatias e superstições num balaio vai garantir sucesso profissional, amoroso, social ou financeiro. No creo en las brujas, pero que las hay, las hay. Pois deixei de acreditar nelas e de tempos em tempos desafio as convenções para ver se algo de extraordinário vem a reboque. O pretinho básico está passado. Mas, por via das dúvidas, tem uma blusa branca e uma calcinha nova esperando...</p>

<p>Que o ano de 2007 seja continuísta para todos nós. Que possa seguir com calma e coerência as evoluções que começaram este ano.<br />
Também vamos precisar de muita paciência e vista grossa para agüentar os novos-velhos governos que estão chegando por aí.<br />
Tintim!    </p>]]></description>
<link>http://www.matrizonline.com.br/portal/colunas/subindonavida/arquivos/2006/12/resolucoes_e_si.php</link>
<guid>http://www.matrizonline.com.br/portal/colunas/subindonavida/arquivos/2006/12/resolucoes_e_si.php</guid>
<category></category>
<pubDate>Sun, 31 Dec 2006 17:52:31 -0300</pubDate>
</item>
<item>
<title>Onde explorar seus cinco sentidos</title>
<description><![CDATA[<p>Há algumas semanas, ouvi um termo meio arrogante que resume muito bem meu sentimento sobre os encontros da vida: experiência sensorial. No caso, a expressão designava um restaurante, que oferece não só carícias ao paladar, mas aos ouvidos, ao tato, ao olfato, aos olhos. Pois tenho me encantado ainda mais com situações, pessoas, livros, filmes e lugares que proporcionem uma experiência sensorial maravilhosa. E descobri que um dos programas mais divertidos que fiz nesta vida foi visitar o Mercadão de Madureira, templo do consumo popular no subúrbio de mesmo nome no Rio.<br />
Lá fui eu, acompanhada de uma amiga guerreira, ao caixote enorme e quente fincado no bairro que saiu do anonimato justamente por conta dessa atração quase turística, ampliada e reinaugurada por JK em 59. Antes disso, eram vendidos ali somente produtos de hortifrutigranjeiros. Hoje, o mix do shopping (risos) também vai de 650 lojas de macumba, de made in china, coisas de casa, de cozinha, de festas, de brinquedos, de doces, de temperos e bacalhau seco (argh!) e, o mais impressionante, de animais vivos! Os tridentes e os barcos a Iemanjá em perfeita sintonia com panelões de feijoada, granulados coloridos, galinhas, codornas. Tudo isso regado a chope, caldo de cana e pastel de feira, bem gorduroso. Delícia. <br />
É ou não é uma experiência sensorial transitar por corredores em meio a essa diversidade de sensações?! Num momento, me vi provando espetinhos de morangos com chocolate (comi só o chocolate, mas estava ótimo). No outro, enquanto esperava, filei um pedaço de uma aula de confeitaria de bolos. Logo em seguida, me peguei fazendo perguntas tão específicas a uma vendedora que me surpreendi com as respostas afiadas. Parece que lá, dependendo do assunto, todo mundo sabe tudo e está sempre disposto a ajudar. Coisa de primeiro mundo...<br />
A diversidade visual é outro ponto interessante. Tem gente de todas as idades, classes sociais, credos, raças. E todos convivendo em harmonia, devorando uma coxinha ou trocando idéia sobre o rolo de abrir massa, a melhor faca de peixe ou onde encontraria papel-manteiga. Não senti nenhum constrangimento em aparecer por lá praticamente como uma menina-zona-sul, como em outros lugares fora do eixo praia-Rebouças (não por mim, você sente a recepção), mas confesso que seria engraçado se encontrasse alguém conhecido. <br />
Sair de lá carregada do que estava precisando (não fui fazer compras de Natal eu juro! E gastei pouco mais de R$ 100) e somente hora e meia depois de ser abduzida pelos encantos do Mercadão foi uma grata surpresa. No asfalto, via miragem, a roupa colando, uma água geladinha a meio real. E, para fechar, uma linha amarela tranqüila sob um céu azul inacreditável. Recomendo. <br />
</p>]]></description>
<link>http://www.matrizonline.com.br/portal/colunas/subindonavida/arquivos/2006/12/onde_explorar_s.php</link>
<guid>http://www.matrizonline.com.br/portal/colunas/subindonavida/arquivos/2006/12/onde_explorar_s.php</guid>
<category></category>
<pubDate>Thu, 14 Dec 2006 16:38:39 -0300</pubDate>
</item>
<item>
<title>Antes só do que mal acompanhada</title>
<description><![CDATA[<p>Segundo uma amiga preocupada em arrumar marido, a Veja desta semana deve ter vendido horrores. E, realmente, a chamada de capa é interessante e é até possível sentir alguma vontade de ler e descobrir a razão pela qual um punhado de mulheres bonitas, independentes, cultas, charmosas, maduras e com corpo em dia está sozinho. Se você, querido leitor, não teve a oportunidade de dar uma olhadinha nas bancas, a capa grita: As chances de casar. E, logo abaixo: “9 entre 10 brasileiras que passam dos 40 anos solteiras continuarão solteiras”; “Confira as chances de uma mulher se casar no Brasil aos 25, 30, 40 e 45 anos” e “As estatísticas explicam por que faltam homens solteiros compatíveis”.</p>

<p>Li. E, não sei se pode interessar, achei uma das coisas mais sensacionalistas dos últimos tempos – o que não é novidade em se tratando do veículo em questão. Para começar, colocam como previsão alarmante o seguinte resultado das contas de um Oswald de Souza qualquer: “Aos 30, elas têm 27,6% de chance de encontrar um marido. Parece pouco? Pois aos 35, a chance cai quase 10 pontos, e aos 40 despenca para meros 13,7%. Aos 45, a solteira tem apenas 10,1% de probabilidade de comparecer perante um juiz de paz”. Para começar, esqueceram de dizer que 100% nesta regrinha de três não existe. Como garantir que, aos 20 ou 25 anos, uma mulher vai encontrar um marido em potencial?</p>

<p>E mais. Como garantir que aos 20, 25, 40 ou 70 uma mulher vai encontrar um marido e viver com ele feliz para sempre? Aos 70 a coisa fica mais fácil, mas aos 20, tudo se complica verdadeiramente. Mas como a capa do divórcio já foi feita, restou falar das mulheres que não querem abrir mão do que conquistaram nesta vida dura para dividirem o teto com homens machistas, ciumentos e que não vão tolerar sequer que a esposa (palavra que em espanhol significa algema) ganhe um salário 10% maior que seja. Aqui, me perdoem, a grande maioria pensa assim. É o que temos.</p>

<p>Tem mais. Se eu, por exemplo, tenho pouco mais de 27,6% de encontrar um marido, dentro desse percentual, qual a chance de o marido escolhido ser carinhoso, honesto, trabalhador, gostoso, fiel, mão aberta, inteligente, bem-humorado e que ainda seja bom cozinheiro e goste de massagear seus pés, não necessariamente nesta ordem?!? De novo, quem garante a mim e à torcida do Flamengo que casamento é sinônimo de felicidade? O que está sendo questionado, no entanto, é somente o casamento. A troca de alianças, o sim, o vestido de noiva e o álbum de retratos. E ser feliz, ninguém quer... </p>

<p>O que realmente angustia e serve de alerta para quem quer “comparecer perante um juiz de paz” é ser exigente. Sem dúvida, as mulheres ficaram mais exigentes. E quem escolhe muito acaba sem nada. Ou melhor, fica sozinha sem querer estar sozinha. Porque aqui a pergunta que cabe é: antes mal acompanhada do que só? Nós ganhamos tanto quanto eles, bebemos tanto ou mais, viajamos, falamos mil línguas, sabemos nos defender e queremos nossa liberdade! A tendência é ficar esperando o príncipe encantado. E se o tempo passar demais, só restarão sapos. Esqueçamos os números e vamos correr. Afinal, se antes dos 30 já é difícil suportar certas coisinhas, imagina isso amadurecido pela idade e pela intimidade.   <br />
</p>]]></description>
<link>http://www.matrizonline.com.br/portal/colunas/subindonavida/arquivos/2006/11/antes_so_do_que.php</link>
<guid>http://www.matrizonline.com.br/portal/colunas/subindonavida/arquivos/2006/11/antes_so_do_que.php</guid>
<category></category>
<pubDate>Thu, 30 Nov 2006 12:35:34 -0300</pubDate>
</item>
<item>
<title>Espírito de natal</title>
<description><![CDATA[<p>Se o tempo continuar sem suas estribeiras, daqui a pouco estaremos montando árvores de natal na quarta-feira de cinzas, ainda de ressaca. E vai ser um pesadelo... Não gosto do espírito que toma conta das pessoas no fim do ano. E tenho uma tendência a achar que presente se dá a qualquer momento e não existe propósito mais forte para encontrar a família e os amigos do que as saudades. Saudades sinceras. Pensando bem, quem não sente essas saudades realmente precisa de algo superior, algo divino, algo dos céus. O natal, para esses, vem sempre bem a calhar... </p>

<p>E aí vem a razão do corre-corre, das vitrines entulhadas de coisas vermelhas e douradas e daquelas árvores ora obesas (há algo mais sem sentido do que neve artificial decorando galhos fininhos de ferro retorcido?) ora subnutridas, com cara de que, sei lá, o que estou fazendo aqui?!? Se você vai viajar, não consegue comprar um biquíni decente. E se ganhou, mas não serviu, só vai conseguir trocá-lo por um que realmente lhe caiba e que tenha a ver com você perto do carnaval. Onde será que esse povo que chora miséria o ano inteiro consegue tanto dinheiro? Será das abusadas caixinhas? Parêntesis: Acho que do mundo cristão que valoriza e estimula essa prática, sou a única alma que ainda não pendurou um saco vermelhão de veludo no pescoço...</p>

<p>Enxaquecas à parte, o natal é, provavelmente, o que me faz ter vontade de ter filhos, de procriar, de me reproduzir, de encher a casa de crianças pulando, brigando, aquela algazarra. Simplesmente porque acreditar em Papai Noel é uma das coisas mais mágicas desse mundo. E, para mim, descobrir que ele era uma mentira que toda a minha família me contava, por anos e anos e muitos anos seguidos, foi a primeira grande decepção que enfrentei. </p>

<p>Foi, sem dúvida, a mais dolorosa. Mal podia conter a empolgação com a chegada de Papai Noel. A imaginação voava, eu tentando imaginar como seria, já que, apesar de morar numa casa, não tínhamos chaminé. Quando voltávamos da ceia do dia 24, tirava o sapato na porta e já o deixava na soleira, tentando prever o que ELE me traria. E eram sempre coisas maravilhosas, e cada vez com a logística de entrega mais complicada. E as noites acordada, à espreita, esperando qualquer barulho na sala, será que ele está aí??? Caía sempre no sono, nunca pude flagrar ninguém ajeitando embrulhos embaixo da árvore. Ainda bem. Mas imagine o susto de encontrar um senhor roliço de barbas brancas enormes e bochechas rosadas?</p>

<p>Minhas duas sobrinhas já têm conhecimento dessa bela farsa desde os cinco anos. É triste. É triste para as crianças, que começam a perder a inocência muito cedo. E mais triste ainda para os pais, que não voltam a ser criança inventando desculpas esfarrapadas e se desdobrando para bolar caças ao tesouro, esconderijos secretos e presentes cada vez mais criativos. Isso sem contar aquela letrinha fofa, gorducha, escrevendo “querido Papai Noel” para explicar que tinha sido(a) um(a) bom(a) menino(a) durante aquele ano e pedindo alguma coisa mirabolante. Talvez, se descobrissem mais tarde, as crianças de hoje seriam mais comportadas. E felizes.  </p>]]></description>
<link>http://www.matrizonline.com.br/portal/colunas/subindonavida/arquivos/2006/11/espirito_de_nat.php</link>
<guid>http://www.matrizonline.com.br/portal/colunas/subindonavida/arquivos/2006/11/espirito_de_nat.php</guid>
<category></category>
<pubDate>Thu, 23 Nov 2006 19:20:53 -0300</pubDate>
</item>
<item>
<title>Democracia, relação: tooooodo um processo...</title>
<description><![CDATA[<p>Se eu tivesse que definir o sexo da democracia – e não apenas pelo artigo feminino que acompanha o substantivo – ficaria coma imagem de uma bela mulher. Inteligente, cativante e acima de tudo complicadinha pacas. Não necessariamente o ideal, mas como sentenciou o Churchill (foi ele mesmo?)... democracia é isso. É o que temos.<br />
 <br />
Mas como eu ia dizendo, o que define não é mesmo o artigo. Eu justifico com a capacidade – ou mania, se você preferir – que a mulher tem de dialogar, conversar e/ou (toc, toc, toc) discutir a relação. Digo isso considerando as vezes em que a discussão pode ser chamada de monólogo também.<br />
 <br />
Mas é assim que se dá a união dos contrários na busca por uma convivência pacífica (por Alá, que coisa clichê). Eu no lugar da Nina e vice-versa, expondo os nossos pontos de vistas (que também atendem pelo nome de queixas) sobre os melindres da democracia nos relacionamentos amorosos. Mas com parcimônia, afinal, tudo de muito é demais.<br />
 <br />
Obviamente isso jamais funcionaria caso fôssemos amantes ou coisa que o valha (vocês acreditaram mesmo na desculpa do André e da Josy para o fim da coluna em comum?). Isto é, portanto, uma opinião de quem vê a coisa de fora, mesmo que falando de conflitos internos. Sacou?<br />
 <br />
Pois é. Se você não sacou, imagine nós, homens, diante de uma discussão hipérbole e histérica por motivos banais. Às vezes um simples corte de cabelo (ou melhor, o fato de não notarmos o que aconteceu de diferente na cabeça de vocês mulheres) que findou num caleidoscópio de toda a relação. Claro, com destaque para tudo de ruim que fizemos a vocês.<br />
 <br />
Eu até entendo essa necessidade congênita de deixar os fatos em pratos limpos (o que eu chamo de “mania de remoer a mesma coisa mil vezes”), mas convenhamos, o tempo passa, o tempo voa e as coisas deveriam permanecer numa boa caso não houvesse essa insistência de querer sempre desenterrar os mesmos defuntos.<br />
 <br />
Bater na mesma tecla, entenderam? Sim, nós somos uns desastres com as datas, nós somos o cúmulo da desorganização, nossas contas estão sempre atrasadas, os trabalhos idem, a casa consegue virar um chiqueiro de 0 a 100 km em cinco segundos. Mas é justamente para isso que precisamos de vocês. <br />
 <br />
Não, não falo de arrumar a casa e pagar as contas, mas de auxiliar o processo de otimização (ou customização, para ser hype) do nosso tempo, da nossa casa, do nosso rico dinheirinho. Mas como eu disse, é tooooooodo um processo. Coisa lenta, cuidadosa. Arrumar as coisas num estalo tiraria de nós as identidades. Já pensou o nó? É dada também a opção de afeiçoamento ao nosso trash way of life.<br />
 <br />
E já que estamos falando em diálogo, preciso tocar num assunto importante, para nós homens, claro. A única explicação que concebo para a capacidade que vocês mulheres têm de entender o que falamos exatamente pelo oposto do que queremos dizer, é a instalação de um “noise distorction filter”.<br />
 <br />
Vocês já pararam para pensar se as frases que vocês entendem como saídas de nossas bocas fazem algum sentido? É simples. Exercício de paciência eu sei, mas tentem, será de bom grado. Sim, porque na maioria das vezes o escândalo se inicia por algo que vocês entenderam – ou distorceram – livremente, sem o mínimo cuidado de checar direto com a fonte.<br />
 <br />
Sim, é claro que volta e meia a relação precisa ser discutida. Mas porque não pensar num organograma? Ainda mais vocês, as experts em organização. Datas e temas semanais. Ou meses. É que é complicado demais para nós, que não conseguimos sequer arrumar a cama, misturar em pouco mais de meia hora o seu ciúme da nossa amiga peituda com a necessidade de conseguir outro trabalho etc e tal.<br />
 <br />
Eu sei que a probabilidade de tudo que eu disse aqui ser completamente distorcido é altíssima, de qualquer forma, foi apenas uma tentativa de fazer através das minhas queixas, com que vocês entendam um paradoxo: que apesar de tanta democracia, o que a gente gosta mesmo é de uma bela ditadura de saias. Mas com calma, afinal, é tooooooooodo um processo...<br />
 <br />
Rodrigo Levino</p>

<p></p>

<p> <br />
</p>]]></description>
<link>http://www.matrizonline.com.br/portal/colunas/subindonavida/arquivos/2006/11/democracia_rela.php</link>
<guid>http://www.matrizonline.com.br/portal/colunas/subindonavida/arquivos/2006/11/democracia_rela.php</guid>
<category></category>
<pubDate>Fri, 10 Nov 2006 13:19:12 -0300</pubDate>
</item>
<item>
<title>Papo mulherzinha</title>
<description><![CDATA[<p>Esta não era a primeira vez que o papo dominava os presentes na sala. Uns liam jornal, uma fazia palavras cruzadas, dois ou três olhavam, mas não viam, a televisão. </p>

<p>– Quem ela pensa que é para falar isso? – esbravejou no canto da varanda, sobre o que via, e compreendia, o que tinha um papel impresso nas mãos.<br />
– Ah, mas eu gosto. E qual o problema de ficar escrevendo sobre discutir a relação ou descrevendo filosoficamente a reação do gato ao se olhar no espelho?!</p>

<p>Pronto. A semente da discórdia havia sido lançada com sucesso. E o tema da discussão era o famoso papo mulherzinha, que estava sendo debatido por homens, mulheres, senhores, senhoras e senhoritas, além de dois adolescentes, que se mantiveram mudos por não ter nada a acrescentar. </p>

<p>Dez minutos de frases acaloradas, denúncias frias e críticas de motivação puramente pessoal. Não dava para levar nada a sério. Mas somente entender que papo mulherzinha é uma coisa que geralmente incomoda. Incomoda aos homens. Não consegui ainda compreender porque eles são tão contra aquela que fala sobre a importância de andar de mãos dadas pela rua e demonstrar afeto. E pior, não podem aceitar que alguém dê espaço a esse tipo de discussão em grandes meios de comunicação. </p>

<p>Sempre ouvi e concordo quando dizem que a culpa do machismo é da mulher. É ela quem cria meninos e os repassa, já (des)educados, a outras mulheres, essas da mesma ou parecida geração. Se eles aprenderam a não demonstrar o que estão sentindo e serem sinceros em seus sentimentos pode ser que a culpa – sempre ela! – seja das próprias mulheres que, paradoxalmente, vão acabar reclamando disso mais tarde. </p>

<p>O ciclo é vicioso, mas mudar a estrutura viciada é difícil. Pode ser que agora esteja mudando, já que alguns homens começam a entender que é importante, sim, dar valor a pequenos detalhes, principalmente numa relação madura. A diferença, porém, é gritante quando são comparados dois exemplos com alguma diferença de idade. Agora porque uma mulher que sofreu com o comportamento do marido ensinaria o filho a se comportar praticamente da mesma forma? </p>

<p>Interessante nas críticas a quem julga ser importante falar desse universo é a classificação. Ninguém merece ser desmerecido por tornar um pedaço de papel espaço público para discussões nas quais o centro é a mulher. Pelo contrário. Mas o fato é que por ser uma mulher que faz essa transformação, a coisa já nasce meio sem sentido. Como se só os homens pudessem fazer indagações sobre o rico universo feminino. Aliás, como se eles soubessem falar disso com propriedade... </p>

<p>Este papo foi motivado por, no fim das contas, ter ficado com uma ponta de dúvida: eu transformo um espaço em território de discussões femininas? Algo do que vem publicado aqui pode ser comum de dois gêneros? A conferir.   <br />
</p>]]></description>
<link>http://www.matrizonline.com.br/portal/colunas/subindonavida/arquivos/2006/11/papo_mulherzinh.php</link>
<guid>http://www.matrizonline.com.br/portal/colunas/subindonavida/arquivos/2006/11/papo_mulherzinh.php</guid>
<category></category>
<pubDate>Sat, 04 Nov 2006 09:27:39 -0300</pubDate>
</item>
<item>
<title>Ficar para semente</title>
<description><![CDATA[<p>Só mesmo meus avós para conseguirem me fazer ficar em frente à TV num domingo à noite. E pior, assistindo ao programa do Faustão. Não que este seja o programa favorito deles. Mas, nas últimas semanas, ver a competição de patinação artística entre nomes do terceiro escalão da Globo tem sido a diversão do dia. É realmente muito divertido, muito, ainda mais porque tenho um passado de habilidosa patinadora, costumava fazer aulas naquele finado rinque do Barrashopping há séculos, e sei como é difícil deslizar sobre aquelas lâminas fininhas e se recuperar de um tombo. Se espatifar sobre o gelo causa dores terríveis, além de hematomas imensos que demoram semanas para sumir.</p>

<p>O mais curioso é que fiquei ali, trocando comentários, criticando as coreografias, as roupas, as perfomances e rindo, aconchegada no colo do meu avô. Me senti criança de novo, como quando passava os fins de semana lá. Ia à praia com meu tio, comia o melhor bife do mundo (feito em frigideira de ferro fervendo, e com manteiga), dormia inventando episódios da grande história de um peixe que tinha perninhas, Hermenegildo. Fazendo uma análise mais cuidadosa do personagem, vejo que ele seria um revolucionário, um intelectual, alguém disposto a mudar o mundo, a começar com seus gambitos verdes.<br />
 <br />
Posso dizer, com toda certeza, que escolhi o caminho que sigo por influência dos meus avós. É certo que, quando nasci, minha avó não trabalhava fora e podia cuidar de mim em tempo integral enquanto meus pais tentavam ganhar a vida. Até depois de entrar para a escola, era ela quem me buscava, todo santo dia, e me levava para casa. Sabem o que é uma criança feliz? Acho que devo isso a eles.</p>

<p>E quando lembro que os anos passam, e todo mundo envelhece e a nossa vida ganha outras prioridades, penso que deveríamos ter a oportunidade de escolher duas pessoas para ficar para semente. Duas pessoas que parassem no tempo. Nada de esclerose, nada de dificuldade para caminhar, nada de falta de paciência, nada daquela ladainha de esperar a morte chegar, sem saber como e quando ela virá. Esse assunto seria esquecido e a gente poderia viver sem essa preocupação, sabendo que tem ali duas pessoas torcendo por você, acompanhando suas escolhas e vibrando com cada uma delas, mesmo aquelas das quais você não tem motivo para se orgulhar muito.   <br />
</p>]]></description>
<link>http://www.matrizonline.com.br/portal/colunas/subindonavida/arquivos/2006/10/ficar_para_seme.php</link>
<guid>http://www.matrizonline.com.br/portal/colunas/subindonavida/arquivos/2006/10/ficar_para_seme.php</guid>
<category></category>
<pubDate>Mon, 30 Oct 2006 11:33:32 -0300</pubDate>
</item>


</channel>
</rss>